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terça-feira, 2 de abril de 2013

Sobre o filme Amour

           



          "Não estou no meu melhor momento pra falar de Amor". Foi a resposta que me veio à mente quando fui questionada pela ausência do meu texto aqui no blog. A contra-argumentação foi esta: "não é pra falar de amor é pra falar do filme". 
        Agora estou aqui pensando como excluir um do outro. Evidentemente milhares de leituras ocorrerão porque o filme é surpreendente em diversos aspectos. Eu que me detive ao romantismo, à cumplicidade e ao amor presentes ali.
         De todos os conceitos que já li sobre o amor, que o amor é isso, o amor é aquilo, nenhum me colocou de frente com a dificuldade, com o dia a dia, com a rejeição. Quando se fala de amor, até no amor universal, falamos no equilíbrio, nas condições ideais de temperatura e pressão. E quando há desequilíbrio? E quando o ser amado nem está mais ali, em espírito? Dirão os puristas: "quando há desequilíbrio, não é amor. Não sei. 
     Após a doença de Anne e suas previsíveis consequências, Georges continuou lá e fez tudo do jeito que ela pediu, acredito eu que pensando no bem estar dela e não no dele. Não sabemos a pretensão de Haneke, mas uma coisa é certa: ele conseguiu surpreender com seu recorte de um cotidiano. 
         A forma trágica como George termina com tudo aquilo, me deixou sem palavras. Saí do cinema tentando fazer o exercício de me colocar na mesma condição pra saber o que eu faria. Até hoje não cheguei à conclusão. Mas concordo que houve amor do início ao fim.  

Fonte da imagem: Pense fora da caixa

terça-feira, 19 de março de 2013

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A história de Ulisses

A filósofa Márcia Tiburi passou mais de dez anos para entregar o romance Era meu esse rosto à editora. De acordo com a autora, esse livro trata-se de um romance baseado em uma história real que ouviu muito quando era menina. Talvez por isso ela a tenha contado essa história de forma tão especial.
O romance conta a história de Ulisses, um jovem adulto que ao receber uma carta de uma tia, decide voltar a cidade onde viveu durante a infância para resgatar as memórias de sua família.
Tiburi escreveu o romance alternando as lembranças do garoto que viveu em V com suas descobertas na viagem  a V, agora adulto. Leitura complexa e instigante. O jogo narrativo faz a gente ouvir o menino e o homem Ulisses refletindo sobre sua própria história.
Eu não tinha o hábito de ler de escritores contemporâneos, mas Tiburi virou minha autora de cabeceira. Excelente descoberta!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Veias abertas, corações dilacerados

Não era falácia dos professores de história quando nos diziam que devemos conhecer o passado, para entender o presente e refletir sobre o futuro. Reforçando esse argumento de forma poética e sábia, Galeano nos presenteou com seu livro 'As veias abertas da América Latina'.

Nessa obra, ele nos mostra que os países latino-americanos, mesmo tendo diferentes colonizadores, tiveram suas riquezas utilizadas para um único objetivo: servir as potências. Ele afirma que "Nossa derrota esteve sempre implícita na vitória alheia, nossa riqueza gerou sempre a nossa pobreza para alimentar a  prosperidade dos outros: os impérios e seus agentes nativos.

Foi nessa onda de submissão e exploração que crescemos e nos tornamos uma nação que eu classificaria como "pobre menina rica". Aqui a miséria e o luxo são vizinhas de bairro. E a nossa riqueza, que ainda vive concentrada, entope as veias e as mentes do povo, abrindo espaço para o desenvolvimento de outros países as custas de sangue e suor.



quarta-feira, 27 de junho de 2012

A arte da manutenção de si mesmo



O romance de é daqueles para ir lendo aos poucos, interpretando, nem que você passe uma hora lendo  duas páginas. Porque é um livro que nos convida a pensar. Às vezes, dá vontade de desistir, mas quando nos permitimos, terminamos a leitura com o pensamento modificado e isso não tem preço. Vale a pena se debruçar sobre o livro e refletir sobre nossa própria manutenção.

"Todos nós somos muito arrogantes e presunçosos na hora de desmistificar os fantasmas dos outros, mas somos tão ignorantes, bárbaros e supersticiosos quanto eles em relação aos nossos próprios fantasmas."p.35

"-Na realidade, a paz de espírito não é uma coisa superficial de modo algum - começo o discurso. Ela é tudo. O que a produz é a boa manutenção; o que a perturba é a manutenção deficiente."p.163

"A ansiedade, uma armadilha que resulta do excesso de motivação, pode produzir todo tipo de erros devidos ao cuidado excessivo. Você conserta o que não precisa de conserto e sai em busca de males imaginágios."p.318



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Personagem padrão!


O livro A segunda vez que te conheci conta a história de Raul, um jornalista viciado em trabalho e casado com Ariela. Certo dia, sabe-se lá Deus porquê, ela resolveu deixa-lo. Mas não é preciso muito esforço para entendê-la.

Após a fim do casamento, ele começou a namorar a melhor amiga de sua ex-mulher, uma moça chamada Fabi. Em pouco tempo, Fabi mudou-se para o apartamento de Raul. E, certa noite, após chegarem de uma sessão de cinema, ela o informou que ia embora. E pela segunda vez ele sente o agridoce* da separação.

Com duas separações e uma demissão no currículo, Raul mudou-se para um flat de um amigo e passou a agenciar prostitutas. Tornou-se um verdadeiro especialista em comércio sexual. E quando Ariela o reencontrou, ele já não era mais o mesmo. Acredito que nem ele sabia mais quem se tornara.

O autor foi feliz na escolha do título, ele desperta curiosidade, faz a narrativa parecer densa, mas achei a história de Raul é profundamente rasa. Surpreenderia mais se não houvesse um caráter tão “comum” a quase toda humanidade.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ser livre é transgredir!



“Sempre fomos livres nas profundezas de nosso coração, totalmente livres, homens e mulheres. Fomos escravos no mundo externo, mas homens e mulheres livres em nossa alma e espírito.” (Maharal de Praga)

Meu primeiro grifo. Sempre questionei essa liberdade e Bonder me esclareceu com maestria. Ela vive dentro de nós. Somos almas vestidas de desobediência. Almas inquietas, transgressoras, livres. A imoralidade da alma consiste em movimentar o corpo, que é por natureza, acomodado.


O corpo enquadra-se nas tradições e a alma busca traí-las para podermos transcender.  E transcendendo, evoluímos. Embora pareça um processo difícil, e de fato é, a parte mais complicada é firmar a transgressão e permitir ou possibilitar a transgressão dos que estão ao nosso redor.
Na transgressão, de acordo com Bonder, marcamos um novo segmento de nossas histórias individuais e coletivas. Quando nos esquivamos de transgredir, comprometemos nossa qualidade de vida e a possibilidade de continuidade de toda sociedade.  Quando tomarmos consciência da importância das inúmeras possibilidades da transgressão, transformaremos os mundos.
E para os momentos de miopia, ele me deixou esta frase:

“...a vida saberá nos julgar não apenas pelas perversidades que acreditamos poder evitar, mas também pelas tolices que nos permitimos.”

Reflitamos!

P.S.: Em breve postarei uma imagem.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Falta não significa ausência

O livro estava na minha estante há pelo menos três anos. Quando minha amiga me entregou, disse apenas: leia, você vai gostar. Protelei o quanto pude porque, na verdade, não botei fé no que ela falou. Folheei e joguei-o para o fim da fila.
Com a indicação para o café, pude, finalmente, constatar as palavras dela. Eu não só gostei da história, como me identifiquei com o protagonista em algumas situações.
Por que nossas reações devem ser convencionadas? Por que temos que chorar em determinados momentos e sorrir em outros? Existe lei que nos obrigue a sermos iguais?
Meursault era uma cara que só queria viver e pronto. Não almejava nada além disso. E, de fato, a vida não precisa tornar-se  essa guerra de ação e reação na velocidade da luz que a sociedade nos exige. Que tal dançarmos uma valsa  e não um rock?!
Você pode colocar sua mãe num asilo. Você pode não chorar no enterro dela. Você pode não ser apegado ao trabalho, as pessoas, ao dinheiro. Você pode ser estranho!Cada um tem um tempo, uma vontade e uma forma de expressar, caso queira ou não. E quando a falta de vontade é tão natural dá gosto.
Meursalt pode significar, para alguns, a frieza em pessoa, para mim, ele foi ele, simplesmente. Não havia uma preocupação em ser algo ou alguém. Havia apenas ele e o tempo. Este passando e aquele distraindo-se enquanto isso ocorria. Desse modo, reagindo apenas ao presente, quando inevitável (porque se pudesse evitar, faria), ele foi preso julgado e condenado a morte.
Nesse período entre a prisão e a condenação fiquei na expectativa (na minha lesa visão hollywoodiana das histórias) de uma possível mudança brusca de comportamento, afinal, sua vida estava em jogo. Mas ele foi, surpreendentemente, ainda mais estrangeiro, ainda mais livre. Era um cara muito consciente, mas não sentia obrigação de dividir.

terça-feira, 7 de junho de 2011

No lindo mundo da imaginação de Phoebe


Realidade e fantasia confundem-se no fantástico mundo de Phoebe.
A escola, os colegas, e até mesmo a família não estão preparados para lidar com sua situação. E a "solução" aparece na arte, no teatro, no país das maravilhas de Alice.


- "Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?"
- "Isso depende bastante de onde você quer chegar", disse o Gato.
- "O lugar não me importa muito...", disse Alice.
- "Então não importa que caminho você vai tomar", disse o Gato."
- ... desde que eu chegue a algum lugar", acrescentou Alice em forma de explicação.
- "Oh, você vai certamente chegar a algum lugar", disse o Gato.. "se caminhar bastante"...

(Alice no país das maravilhas - Lewis Carroll)


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Laços eternos


Independente de como as encontramos, se por acaso, se combinado, se escolhido. Os laços maternos não se rompem. Os ensinamentos maternos não se perdem.
E, dificilmente não faremos algo bem parecido ou idêntico aquilo que nelas criticamos. 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Felicidade se conjuga?



Definitivamente não. Felicidade é substância abstrata que sentimos sozinho. Compartilhamos nosso bom humor, nosso brilho, nossa empolgação, mas o que sentimos, só nós sabemos. O casal não consegue unir sua felicidade, entretanto compartilham (talvez pra sempre) tudo que é consequência da presença ou da ausência desse estado de graça dentro de si.
Lemos tantos contos de fadas enquanto somos criança, mas só depois de adulto alcançamos o entendimento da expressão "e viveram felizes para sempre..." E, nesta obra, Tolstói o traduziu perfeitamente com este trecho:

"A partir daquele dia, terminou meu romance com meu marido. O antigo sentimento tornou-se uma recordação preciosa, mas impossível de renascer. Um novo sentimento de amor aos meus filhos e ao pai deles, deu início a uma nova vida feliz, mas diferente, que ainda estou começando a viver."
(Tolstói - A felicidade conjugal)  


segunda-feira, 7 de março de 2011

Eu ainda não havia lido uma obra de Virgínia Woolf. O pouco que sabia a respeito dela, soube através do filme 'As horas'. Era aquela Virgínia, interpretada com maestria por Nicole Kidman, que eu conhecia e que me vinha em mente quando ouvia seu nome. Com a indicação, veio a oportunidade de aprofundar-me na vida desse ícone da literatura inglesa. Agora entendo porque minha professora de literatura inglesa optou por descartá-la de nossas aulas - e não me refiro aqui a não importância da autora, acreditem - talvez ela tivesse trabalho demais nas discussões. Uma casa assombrada é um livro de contos publicado postumamente pela marido de Virgínia, o editor Leonardo Woolf. O título é bem coerente com a obra. Quem ousar lê-lo verá que mente e obra de Virgínia são escuras e desconhecidas, bem parecida com uma casa assombrada mesmo. Sua narrativa não é linear, seus personagens são (d)tensos e seu tempo psicológico. Certamente não deveríamos esperar algo bem sincronizado de alguém que teve uma mente tão tumultuada. Os textos me passaram a sensação de que foram colocados no papel para externar a ânsia de uma mente cheia de influências. Talvez ela tenha tido uma vida mais complexa do que nossa inteligência consegue alcançar. E agora a admiro pela vida e pela obra. Mesmo sendo necessária três ou mais leituras.rs Uma personagem recorrente em seus contos é a famosa Mrs. Dalloway. E esta dá título a um romance publicado por Virgínia em 1925. Para mim, ela é a representação da mulher que Woolf desejava ser, ou melhor, que era, sempre que ela atuava em suas histórias. Voltando aos contos, gostei de muitos e teria uma citação de cada um para registrar aqui, mas deixarei uma do conto 'Um resumo', sem justificativas. "Tímida como era, porém, e quase incapaz de dizer alguma coisa quando apresentada inesperadamente a alguém, ela que era essencialmente humilde, nutria uma forte admiração pelas pessoas. Sê-las seria maravilhoso, mas estava condenada a ser ela mesma, e com aquele jeito entusiático e silencioso, não podia mais que aplaudir a sociedade humana da qual fora excluída." (V. Woolf)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

É na simplicidade do caminho. . .


. . . que caminhamos pelo labirinto textual criado por Lygia. Sua narrativa nos conduz pela estrada sem nos perder, e nos instiga sem saciar nossa ansiedade por completo.
      Os leitores de 'Antes do baile verde' são, de certo modo, co-autores da obra. Lygia nos pega pela mão, mas vai aonde nossa imaginação permitir.

Delicioso passeio!! 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"Todo ponto de vista é a vista de um ponto" [L.Boff]


Se eu encontrasse o livro solto em uma livraria ou biblioteca, não leria.
Mas se uma amiga super entusiasmada com a trama me indica, eu leio.
Se me apegasse a edição, a revisão, a técnica, desistiria nos primeiros parágrafos.
Porém, se me apego ao tema, ignoro todo o resto.
Se o comparasse aos clássicos literários, nem insistiria.
Entretanto se distâncio o preconceito inato, leio como quem acompanha novela.
Se crio expectativas, me frusto.
No entanto, se deixo-me seduzir pela criatividade da autora, me delicio.
Para cada justificativa que quiser usar para ler, assistir, ouvir ou criar uma obra, encontrarei argumentos.
Creio que essa não é a proposta da arte. Não só da arte, mas também daquilo que passa longe de sê-la. As criaçõess devem ser vividas, experimentadas e ponto. Até para criticar é preciso conhecer, não é mesmo? É digno dizer que gosto ou não gosto de algo, mas daí a dizer se serve ou não serve é outra história. Mas não pretendo seguir esse caminho rumo à filosofia.
O fato é que o romance entre Duda, Gaby e Samantha é quente e instigante. Até o ser mais preguiçoso ler em menos de uma semana. Não só por tratar-se de um romance entre mulheres, mas também pela criatividade contida na história.  E isso torna a homossexualidade apenas um detalhe, diante de dramas bem mais relevantes vividos pelas personagens. Dramas que não são privilégios dos homossexuais vivê-los, afinal, qualquer ser vivo, exceto os vegetais, está suscetível ao amor e/ou à ausência dele.
Então, durante a fase de 'Aquele dia junto ao mar', ficou a reflexão: Se a cada passo dado eu pensar no que o outro irá pensar a respeito, eu estagno.
Contudo se sou fiel aos princípios que eu reproduzo em bom tom, vida a fora, eu publico, leio, comento e recomendo.
Desprenda-se e aproveite!  

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Minhas mães, meu pai e nosso vazio!



A família não convencional de Nic nem sentia que não estavam perfeitamente felizes. Havia ressentimentos, vazios e insatisfações para todos os lados. E o aparecimento de Paul, fez com que todos começassem a buscar a solução para seus "problemas". O amor, que após 20 anos de convivência, era demonstrado mais lentamente e em gestos simples, adormecia, e sobrou espaço para o egoísmo:


Joni e Laser passaram a gostar da ideia de conviver com um adulto mais leve, divertido e menos centralizador.



Jules  passou a entregar-se, sem esforço, ao novo olhar e ao novo prazer.


Paul, passou a cogitar a ideia de uma  vida nova com direito a mulher e filhos bem criados e prontos.



E, em meio a tudo isso, Nic só pensava numa forma de tirar Paul da vida de sua família para ela voltar a ter o controle da situação.


Trazendo para a realidade, fixando bem o pé no chão, concordaremos que todos tinham motivos que os fizeram caminhar naquelas direções. Refiro-me a todos mesmo, até a traição. Sei que não há justificativa, mas que há uma boa explicação, isso há.
E a traição (um dos pontos polêmicos no nosso encontro) foi essencial para que TODOS voltassem o foco para a família que estava desintegrando-se e enxergassem de fato o quê e quem era importante e essencial em suas vidas.
Não conheço quem chegou ao lugar certo sem caminhar em cima de seus erros.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Uma herança subestimada

Imagem: Google
O Brasil nasceu da nada amigável união entre a mãe África e o pai Portugal. O português foi pró-ativo, determinado. Pegou o primeiro bote e veio fazer fortuna do lado de cá. E, como não daria conta de tudo sozinho, optou pela mão-de-obra barata dos africanos. Obrigou nossa mãe a trabalhar em regime escravo em prol do benefício Português. Relação desequilibrada e desleal, que deixou ao nosso país uma herança de visão limitada e, por que não dizer burra, sobre a mãe que nos amamentou.
Não podemos negar a relevância das navegações, das 'descobertas', dos investimentos. Houve seu mérito. Porém, não devemos anular a contribuição dos que derramaram suor e sangue para que o Brasil chegasse onde está.
Estamos atrasados do horário de tirar a venda dos nossos olhos e entender que o continente africano não era nem é composto por países miseráveis e por escravos; enxergar que maior quantidade de melanina não significa inferioridade diante dos demais. Precisamos retirar os resquícios de uma visão de 500 anos atrás onde o homem, pelo simples fato de ser negro, era violentado nos aspectos físicos, sociais, culturais e carrega até os dias de hoje essa violência e esse sentimento de inferioridade.
Ainda há dúvida, medo e vergonha em algumas pessoas de admitirem sua descendência. As religiões africanas ainda são vistas como algo exótico e/ou engraçado. Às vezes, vira um hobby momentâneo. A cultura africana, muitas vezes vivenciada nas escolas, nos bairros, é tomada como algo brasileiro por simples falta de conhecimento dessa rica influência em nosso país.
Enfim, ainda há muitas barreiras para serem rompidas. Para isso existem as cotas (não entrarei no mérito), as leis obrigando o estudo da influência africana nas escolas e outras leis punindo atitudes racistas. Não é assim que funciona com a gente? Antes de curarmos a doença usamos uns paliativos. Um dia a cor da nossa pele será apenas um detalhe diante da complexidade do ser.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Ele escrevia a neblina dos dias!

A Mário de Andrade ausente

Anunciaram que você morreu.
Meus olhos, meus ouvidos testemunharam:
A alma profunda, não.
Por isso não sinto agora a sua falta.
Sei bem que ela virá
(Pela força persuasiva do tempo).
Virá súbito um dia,
Inadvertida para os demais.
Por exemplo assim:
À mesa conversarão de uma coisa e outra.
Uma palavra lançada à toa
Baterá na franja dos lutos de sangue.
Alguém perguntará em que estou pensando,
Sorrirei sem dizer que em você
Profundamente.
Mas agora não sinto a sua falta.
(É semrpe assim quando o ausente
Partiu sem se despedir:
Você não se despediu.)
Você não morreu: ausentou-se.
Direi: Faz tempo que ele não escreve.
Irei a São Paulo: você não virá ao meu hotel.
Imaginarei: Está na chacrinha de São Roque.
Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida?
A vida é uma só. A sua continua
Na vida que você viveu.
Por isso não sinto agora a sua falta.
(Manuel Bandeira)

Foi através desse poema que eu conheci Bandeira e passei a admirá-lo.
Não me dou muito bem com a poesia. Não que eu não goste. Não é isso. Mas eu não sei respirar e isso dificulta a leitura de qualquer texto, especialmente, de poemas porque devem ser lidos em voz alta, pois a sonoridade (a rima) faz parte e é bem relevante na obra.
Lançado o "desafio" dessa leitura, oportunizou-se mais uma chance de conhecer suas obras. Respirei fundo e lá fui eu!
Em o livro A cinza das horas, o autor reuniu poemas sobre horas cinzas de sua infância, de seus amigos, de sua poesia, de seus dias. E daí refletiu-se a cor no livro, nos poemas, nas palavras. Entretanto, o cinza não destrói o colorido da beleza da obra.
A respiração continua ruim, mas na inspiração fez toda diferença.

P.S.:
"Foi por esse amor
Teu corpo é tudo que brilha
É a única ilha no oceano
Do meu desejo

Foi por esse amor
Tão bela flor de laranjeira
Teu corpo é tudo o que cheira"
(Chiclete com Banana)

A semelhança será mera coincidência?rs.




sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sou menino? Sou menina? Sou 'o quê'?!



Segundo sr. Aurélio (2008):

Homossexual: que sente atração por ou tem relações sexuais com indivíduos do mesmo sexo.
Heterossexual: que sente atração por ou mantém relações sexuais com pessoa do sexo oposto.
Transexual: que deseja adquirir ou já adquiriu por meio de cirurgia as características sexuais do sexo oposto.

Caso você não tenha se identificado, fique calmo. Há conceitos e nomenclaturas para todos. Também há ONG´s e diversos ativistas em movimentos trabalhando o ano inteiro em prol da liberdade sexual. Entretanto, ainda há aqueles que insistem em fingir que essa diversidade não existe.
A psicóloga Márcia Arán faz uma retrospectiva histórica de como ocorreu esse processo de mudança na identidade sexual, do ponto de vista psicanalítico, e esclarece-nos sobre questões a respeito dos conceitos que eu citei inicialmente.
Chamou minha atenção a enorme influência da cultura em nossa identidade sexual. Não é à toa que ao perceber-se com um ‘gosto sexual’ diferente dos demais a primeira providência tomada é convencer a si mesmo a redefinir a questão do ‘certo’ ou ‘errado’ para sentir-se ‘incluído’. Fui clara?! Penso que sim.
Arán nos mostra que o gênero pode vir definido no nascimento, a identidade não. E, no entanto, somos moldados o tempo inteiro, desde a cor das nossas roupas, nossos brinquedos, decoração do quarto do bebê, até a ideia fixa de que existe um padrão de identidade sexual definido e arderá no fogo do inferno aquele que não segui-lo.
Analisando o processo de mudança quebramos conceitos, ampliamos nosso horizonte para a questão e percebemos que rotular só vai nos levar a segregação. Basta entender as possibilidades e viver e deixar os outros viverem da melhor maneira possível.

"...Acho que ser ou não se ser viado tá ultrapassado e não me leve a mal..." (Montenegro)

sábado, 25 de setembro de 2010


Para Caio F., escrever é enfiar um dedo na garganta. Neste caso, eu diria que foi enfiar um dedo na lembrança. Exupery escreveu lembrando o quanto foi esquecido. Cristiana escreveu lembrando o quanto foi amada. E do excesso e da falta de amor nasceram as obras!
As cartas de Exupery, apesar de românticas, não me comoveram muito. Talvez por tratar-se dos típicos amores não correspondidos, não me empolguei.
O que faltou de empolgação para ler "O amor do pequeno príncipe" sobrou para ler "Para Francisco". A atípica história de amor vivida por Cris e Gui prendeu minha atenção. Li a obra em um dia e meio. Chorei. Comemorei e sofri com os sentimentos alheios.
Com seu jeito peculiar de narrar sua própria história, Cristiana nos leva a sonhar com um amor assim: leve, divertido, cúmplice. Quantos Guilhermes será que ainda vivem neste plano?!
Apesar de, aparentemente, essa história de amor ter sido interrompida quando Gui desencarnou, para mim, esse amor só cresceu. O amor triplicou com o nascimento de seu filho, Francisco, e com a nova Cristiana que surgiu diante de todo sofrimento e dor.
O amor de Gui transformou sua vida. A vinda de Francisco a salvou. E sua história é a exceção de tudo o que já li sobre o amor. Confirmei que o amor não acaba quando a história chega ao fim.