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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sou menino? Sou menina? Sou 'o quê'?!



Segundo sr. Aurélio (2008):

Homossexual: que sente atração por ou tem relações sexuais com indivíduos do mesmo sexo.
Heterossexual: que sente atração por ou mantém relações sexuais com pessoa do sexo oposto.
Transexual: que deseja adquirir ou já adquiriu por meio de cirurgia as características sexuais do sexo oposto.

Caso você não tenha se identificado, fique calmo. Há conceitos e nomenclaturas para todos. Também há ONG´s e diversos ativistas em movimentos trabalhando o ano inteiro em prol da liberdade sexual. Entretanto, ainda há aqueles que insistem em fingir que essa diversidade não existe.
A psicóloga Márcia Arán faz uma retrospectiva histórica de como ocorreu esse processo de mudança na identidade sexual, do ponto de vista psicanalítico, e esclarece-nos sobre questões a respeito dos conceitos que eu citei inicialmente.
Chamou minha atenção a enorme influência da cultura em nossa identidade sexual. Não é à toa que ao perceber-se com um ‘gosto sexual’ diferente dos demais a primeira providência tomada é convencer a si mesmo a redefinir a questão do ‘certo’ ou ‘errado’ para sentir-se ‘incluído’. Fui clara?! Penso que sim.
Arán nos mostra que o gênero pode vir definido no nascimento, a identidade não. E, no entanto, somos moldados o tempo inteiro, desde a cor das nossas roupas, nossos brinquedos, decoração do quarto do bebê, até a ideia fixa de que existe um padrão de identidade sexual definido e arderá no fogo do inferno aquele que não segui-lo.
Analisando o processo de mudança quebramos conceitos, ampliamos nosso horizonte para a questão e percebemos que rotular só vai nos levar a segregação. Basta entender as possibilidades e viver e deixar os outros viverem da melhor maneira possível.

"...Acho que ser ou não se ser viado tá ultrapassado e não me leve a mal..." (Montenegro)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

LIBERDADE É VIVER A VERDADE

Márcia Arán, um nome pra se anotar. A psicóloga e professora é danada. E não é que conseguiu me fazer ficar vidrada no monitor sobre um assunto que não tenho muita propriedade pra falar? Bem... o fato é que a didática da professora é incrível e quem viu o vídeo sabe, ela foi coesa e pragmática. Conseguiu apimentar a teoria, tornando-a digestiva.

Sexualidade contemporânea e novas formas de subjetivação. É esse o tema que a professora se propôs a tratar.

Pra Arán, alguns teóricos elencam alguns efeitos colaterais relacionados à questão da sexualidade como: o apagamento da diferença sexual; a crise do simbólico; e as mudanças da sexualidade como causadores da estruturação da sociedade. No que a professora discorda afirmando que deve-se manter os conceitos de diferenças e pensar os laços sociais entre homossexuais/transexuais/transgêneros, apenas deslocando a noção de diferença da maneira clássica de se pensar o masculino e o feminino.

A proposta de Arán foi tratar de três questões na palestra: 1) Deslocamento do feminino (mudança de lugar da mulher na sociedade); 2) Casamento homossexual; 3) Transgenerismo e transexualidade (construção de si com modificações corporais).

Engraçado é perceber o preconceito tão vivo e real dentro de cada um de nós. E o nome já diz pré-conceito, conceito pré definido, estabelecido. Conceitos elaborados com bases não sólidas, empíricas, concebidas a partir de valores e crenças estritamente pessoais, que embaçam o pensamento lógico e a definição clara e mais próxima do real.

Me chamou a atenção as colocações feitas acerca do casamento homossexual, onde a professora coloca claramente as teorias assustadoras colocadas por alguns teóricos e psicanalistas sobre o assunto, alegando-se que poderia haver, perigo da crise da família; que as referências identitárias masculinas e femininas se apagariam; haveria degeneração da cultura. E a professora desconstrói essas colocações e baseada em pesquisas científicas, afirma que não existe nenhuma diferença na forma como as crianças são criadas, não sendo assim a opção sexual dos pais, importante nesse processo.

Outra questão instigante foi sobre um universo desconhecidíssimo pra mim, sobre os transgêneros, travestis e transexuais. Fui logo ao dicionário e ao Google tentar entender melhor:

• Transexualidade: identidade de gênero diferente do corpo biológico. Desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto. Vontade de efetuar a modificação corporal via transição do sexo corporal.
• Transgenerismo: expressão de gênero não corresponde ao papel social e ao gênero do nascimento. Estão em trânsito entre um sexo e outro.
• Travestismo: Ato de travestir-se com roupas do sexo oposto.
- Drag Queen: fantasia-se cômica e exageradamente com o intuito geralmente profissional.
- Transformista: veste roupas usualmente próprias do sexo oposto com intuitos essencialmente artísticos comerciais. Não necessariamente isso interfere na sua orientação sexual.

E sobre o assunto a professora esclareceu, não há existe nenhuma fundamentação psicopatológica pra justificar que a condição ainda esteja incluída no CID 10 como Transtorno de Identidade de gênero, que se refere a incoerência entre sexo e gênero.
A professora então cita Foucoult que diz que o sexo é um sistema de poder e fazer e o gênero é algo que se constrói na tragetória, é o efeito das repetições da criação.

Muito boa pedida, muito bom abrir a mente, muito bom pensar no assunto, descortinar as idéias preconceituosas e consequentemente se alimentar de esclarecimento, de ciência, de verdades que são distantes demais, quando não há a disposição de enxergá-las e tentar se apoderar do saber.

Viva a liberdade de ser!

Viva a diversidade!

Viva o respeito!

Viva o amor!