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segunda-feira, 7 de março de 2011

Eu ainda não havia lido uma obra de Virgínia Woolf. O pouco que sabia a respeito dela, soube através do filme 'As horas'. Era aquela Virgínia, interpretada com maestria por Nicole Kidman, que eu conhecia e que me vinha em mente quando ouvia seu nome. Com a indicação, veio a oportunidade de aprofundar-me na vida desse ícone da literatura inglesa. Agora entendo porque minha professora de literatura inglesa optou por descartá-la de nossas aulas - e não me refiro aqui a não importância da autora, acreditem - talvez ela tivesse trabalho demais nas discussões. Uma casa assombrada é um livro de contos publicado postumamente pela marido de Virgínia, o editor Leonardo Woolf. O título é bem coerente com a obra. Quem ousar lê-lo verá que mente e obra de Virgínia são escuras e desconhecidas, bem parecida com uma casa assombrada mesmo. Sua narrativa não é linear, seus personagens são (d)tensos e seu tempo psicológico. Certamente não deveríamos esperar algo bem sincronizado de alguém que teve uma mente tão tumultuada. Os textos me passaram a sensação de que foram colocados no papel para externar a ânsia de uma mente cheia de influências. Talvez ela tenha tido uma vida mais complexa do que nossa inteligência consegue alcançar. E agora a admiro pela vida e pela obra. Mesmo sendo necessária três ou mais leituras.rs Uma personagem recorrente em seus contos é a famosa Mrs. Dalloway. E esta dá título a um romance publicado por Virgínia em 1925. Para mim, ela é a representação da mulher que Woolf desejava ser, ou melhor, que era, sempre que ela atuava em suas histórias. Voltando aos contos, gostei de muitos e teria uma citação de cada um para registrar aqui, mas deixarei uma do conto 'Um resumo', sem justificativas. "Tímida como era, porém, e quase incapaz de dizer alguma coisa quando apresentada inesperadamente a alguém, ela que era essencialmente humilde, nutria uma forte admiração pelas pessoas. Sê-las seria maravilhoso, mas estava condenada a ser ela mesma, e com aquele jeito entusiático e silencioso, não podia mais que aplaudir a sociedade humana da qual fora excluída." (V. Woolf)

quarta-feira, 2 de março de 2011

No fluxo de Virginia Woolf

Foto: Manuela Lins

O primeiro conto que li de Virginia Woolf foi Lappin e Lapinova e amei! Achei extraordinário como ela falou sobre amor, cumplicidade e sobre a instituição do casamento.

Porém, quando li os outros contos, me senti desnorteada, perdida, sem rumo...

O fluxo mental de Virginia é confuso, como podemos imaginar que eram os seus pensamentos.

A obra é excelente e instigadora, desafiante e interessante.

O rio caudaloso do pensamento de Virginia desemboca em vários afluentes que nos levam para longe do tema central e depois volta, mergulha fundo no rio outrora abandonado.
Assim são diversos contos, principalmente A Marca na Parede.

UMA VIAGEM PELA PENA ASSOMBRADA DE VIRGÍNIA WOOLF

Me assustei muito com Uma Casa Assombrada. Me percebendo sentir o temor que a falta de alguma obviedade (mesmo sentimento de quando comecei ler Lígia Fagundes Teles) me traz, segui firme adiante. Era como se cada página fosse uma batalha e ao virá-la eu pensava: meu Deus o que ela (Virgínia) traz pela frente?

Consegui ler todos os contos. Ao todo 21. E fiquei muito feliz por ter vencido meus medos de trafegar com aquela mente inquietante pela avenida das suas idéias. E que idéias! Quantas vivências, quanta sensibilidade...

Tem muita peculiaridade na escrita dela. A sua apreensão de mundo me cativou profundamente. Cada detalhe descritivo era levado em consideração com uma admiração muito sincera, a meu ver. Não se trata das descrições cansativas de alguns autores, mas sim de toda uma significação de importância impressa, que havia no simples fato de ela registrar algo ou alguma coisa.

Me perguntei em vários contos se não havia ali, algum grau de contaminação da escrita com a inquietude mental e da labilidade emocional, que é historicamente registrada acerca da personalidade de Virgínia. Acho que a resposta foi sim, há muita contaminação. Há contos que pra mim foram literalmente incompreensíveis. Nesses casos não aconteceu de não ter conseguido ler nas entrelinhas. Pra mim, as linhas e entrelinhas eram indecifráveis.

Gosto quando um autor me desafia assim. A persistência de ter avançado pra mim foi um prêmio. E o melhor é saber que ganhei muito por ter lido contos excelentes como Lappin e Lapinova, O Legado e Unidos e Separados.

“Encarar a vida pela frente... Sempre... Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é... Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é... E depois deixá-la seguir... Sempre os anos entre nós, sempre os anos... Sempre o amor... Sempre a razão... Sempre o tempo... Sempre... As horas.” Virginia Woolf