segunda-feira, 7 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
No fluxo de Virginia Woolf
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| Foto: Manuela Lins |
O primeiro conto que li de Virginia Woolf foi Lappin e Lapinova e amei! Achei extraordinário como ela falou sobre amor, cumplicidade e sobre a instituição do casamento.
UMA VIAGEM PELA PENA ASSOMBRADA DE VIRGÍNIA WOOLF

Me assustei muito com Uma Casa Assombrada. Me percebendo sentir o temor que a falta de alguma obviedade (mesmo sentimento de quando comecei ler Lígia Fagundes Teles) me traz, segui firme adiante. Era como se cada página fosse uma batalha e ao virá-la eu pensava: meu Deus o que ela (Virgínia) traz pela frente?
Consegui ler todos os contos. Ao todo 21. E fiquei muito feliz por ter vencido meus medos de trafegar com aquela mente inquietante pela avenida das suas idéias. E que idéias! Quantas vivências, quanta sensibilidade...
Tem muita peculiaridade na escrita dela. A sua apreensão de mundo me cativou profundamente. Cada detalhe descritivo era levado em consideração com uma admiração muito sincera, a meu ver. Não se trata das descrições cansativas de alguns autores, mas sim de toda uma significação de importância impressa, que havia no simples fato de ela registrar algo ou alguma coisa.
Me perguntei em vários contos se não havia ali, algum grau de contaminação da escrita com a inquietude mental e da labilidade emocional, que é historicamente registrada acerca da personalidade de Virgínia. Acho que a resposta foi sim, há muita contaminação. Há contos que pra mim foram literalmente incompreensíveis. Nesses casos não aconteceu de não ter conseguido ler nas entrelinhas. Pra mim, as linhas e entrelinhas eram indecifráveis.
Gosto quando um autor me desafia assim. A persistência de ter avançado pra mim foi um prêmio. E o melhor é saber que ganhei muito por ter lido contos excelentes como Lappin e Lapinova, O Legado e Unidos e Separados.
“Encarar a vida pela frente... Sempre... Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é... Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é... E depois deixá-la seguir... Sempre os anos entre nós, sempre os anos... Sempre o amor... Sempre a razão... Sempre o tempo... Sempre... As horas.” Virginia Woolf

