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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sincera entrega


Quando Leone escreve em seu diário ela não quer machucar, nem afrontar ninguém.

Ela quer se entender, entender essa vida que a rodeia, seus sentimentos mais profundos.

Ela se entrega ao seu diário com uma inocência e com uma sinceridade que muitos não fazem, e por causa dessa sua franqueza ela paga um alto preço. É rechaçada pelos que a rodeiam.

De fato as mazelas da cidade estão naquele caderno, por isso o rebuliço, a revolta, a agressividade.

Usam o preconceito para desfocar os seus podres, por isso ressaltam tanto o namoro das duas. É esse o fato que tem que ser exaltado para ser punido, e não as delações de Leone.

Ficam para mim duas questões:
Quantas pessoas não exaltam o que não é habitual no outro para esconder o tosco que existe nelas?

Será que existe pessoa nesse mundo que escreve tudo o que realmente pensa? Que se entrega a escrita sem medidas e sem pensar que um dia alguém poderá ler?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Nosso Diário

Imagem: Google


O quê escrever?
Onde guardar?
O quê não dizer?
E, como enfrentar?

A dor e a delícia...

Sofrer com os preconceitos de uma sociedade hipócrita... Em que ano estamos?
1950 - 1970 - 1990 - 2010

Se Léone era adiantada pra época? Não sei o que pensar se ainda hoje estamos atrasados pra nossa.

sábado, 13 de novembro de 2010

LÉONE E SEUS OPOSTOS

Uma adolescente que ria da hipocrisia da sociedade da época.

Gostava de Mélie, garota com a qual tinha uma tórrida e ao mesmo tempo mansa relação amorosa.

Apesar de independente, de andar praticamente nua na pequena cidade francesa sem se importar com os olhos aprisionadores dos outros, nas mãos de Mélie virava uma bonequinha indefesa.

Adorava ser possuída por Mélie. De ter o seu sexo e sua alma sugados por ela nas tardes voluptuosas que desfrutava na casa da garota amada.

A descoberta do diário deixou Léone furiosa, depois triste, depois destroçada.

Mas não por conta de ter os seus segredos revelados para a cidade inteira e, sim, pelos efeitos que eles causaram nos seus queridos.

Arrependeu-se de alguns amigos. Arrependeu-se dos momentos íntimos que desfrutou com um dos garotos covardes que lhe chantageou.

Léone gostava de Mélie, mas também queria saber o gosto de ter um mastro dentro da sua vagina.

Era uma adolescente cheia de opostos. Aliás, sua vida era regida por contraditórios.

O desfecho da sua história não foi tão arrebatador quanto o escândalo gerado por ela.

Léone foi embora. Mélie jurou-lhe amor eterno. Mas o eterno pode não ser fiel.

Imagino a cafonice que Léone acharia de ainda discutirmos, em pleno século 21, a legalização da união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Se ainda estivéssemos numa cidadezinha do interior da França...

Mesmo assim Léone riria da nossa hipocrisia.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ADOLESCENTE AMIZADE COLORIDA

Imagem: Google
Livro com sabor de tristeza.
Foi sem dúvida o sentimento predominante na leitura, além de inquietação e indignação.
Não conhecia a autora: Régine Deforges. Um nome pra se guardar e conhecer melhor é claro. Conhecida por sua literatura “erótica”, à primeira impressão pelo menos pra mim não foi de ênfase no erotismo, mas na peculiaridade de uma escrita dinâmica, atraente, pragmática, sem arrodeios, que deixa você extremamente desejosa da próxima linha, da próxima página.
O Diário é de uma menina é roubado. Nele um coração aberto ao silencioso confidente, desenha as cores de uma vivência amorosa de duas adolescentes francesas de uma pequena cidade francesa.
O moralismo é colocado a toda prova naquela cidade, que incrimina uma pós-criança, não pelo seu amor, mas pela exposição das “histórias imundas da cidade”. De fato, sob o álibi repúdio ao “proibido e pecaminoso” amor adolescente, a ira da cidade sobre uma adolescente atraente, provocante, independente e desapegada de amarras sociais, a cidade vocifera, agride, escanteia, tripudia da bela Léone.
O melhor é a descrição da forte personalidade dela. As descrições dos seus momentos de devaneios, de entrega aos prazeres de toda ordem, de sua sensibilidade e entrega ao mundo e à natureza, ao belo, à liberdade.
“A noite no campo exige que o ser humano se integre totalmente à sua movimentação, que é lenta e profunda”
“... em muitas oportunidades, transtornada pelas recordações, tive de interromper o que escrevia para me acariciar”
“Gostaria tanto de poder dizer a minha mãe o quanto estou atemorizada, o quanto preciso dela, que os seus silêncios e os meus me sufocam... sua boa educação impede-a de simplesmente me ouvir discorrer sobre o amor e dizer o que ele significa”
“Somos os mais belos, os mais fortes, os mais generosos, nada resistirá a nós”
“...minhas angústias em relação à morte, meu desejo de Deus, tão constantemente ausente, meu desgosto por não ser amada por meus pais como gostaria e por não amá-los como eu quereria”
“ Não vejo em que nosso amor é mais sujo ou mais nojento que o deles”
“...perfume da água, do carvalho meu amigo, da suavidade do sol sobre minha pele, da água tépida... não, eles são muito fechados em si mesmos para compreender essas coisas banais e simples”
“Ninguém é suficientemente louco ou bastante infeliz para procurar paz de espírito nesta noite chuvosa”
Fragmentos que me fascinaram completamente nessa narrativa atraente e cativante
Pra variar: Vale a pena!