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| Imagem: Google |
Livro com sabor de tristeza.
Foi sem dúvida o sentimento predominante na leitura, além de inquietação e indignação.
Não conhecia a autora: Régine Deforges. Um nome pra se guardar e conhecer melhor é claro. Conhecida por sua literatura “erótica”, à primeira impressão pelo menos pra mim não foi de ênfase no erotismo, mas na peculiaridade de uma escrita dinâmica, atraente, pragmática, sem arrodeios, que deixa você extremamente desejosa da próxima linha, da próxima página.
O Diário é de uma menina é roubado. Nele um coração aberto ao silencioso confidente, desenha as cores de uma vivência amorosa de duas adolescentes francesas de uma pequena cidade francesa.
O moralismo é colocado a toda prova naquela cidade, que incrimina uma pós-criança, não pelo seu amor, mas pela exposição das “histórias imundas da cidade”. De fato, sob o álibi repúdio ao “proibido e pecaminoso” amor adolescente, a ira da cidade sobre uma adolescente atraente, provocante, independente e desapegada de amarras sociais, a cidade vocifera, agride, escanteia, tripudia da bela Léone.
O melhor é a descrição da forte personalidade dela. As descrições dos seus momentos de devaneios, de entrega aos prazeres de toda ordem, de sua sensibilidade e entrega ao mundo e à natureza, ao belo, à liberdade.
“A noite no campo exige que o ser humano se integre totalmente à sua movimentação, que é lenta e profunda”
“... em muitas oportunidades, transtornada pelas recordações, tive de interromper o que escrevia para me acariciar”
“Gostaria tanto de poder dizer a minha mãe o quanto estou atemorizada, o quanto preciso dela, que os seus silêncios e os meus me sufocam... sua boa educação impede-a de simplesmente me ouvir discorrer sobre o amor e dizer o que ele significa”
“Somos os mais belos, os mais fortes, os mais generosos, nada resistirá a nós”
“...minhas angústias em relação à morte, meu desejo de Deus, tão constantemente ausente, meu desgosto por não ser amada por meus pais como gostaria e por não amá-los como eu quereria”
“ Não vejo em que nosso amor é mais sujo ou mais nojento que o deles”
“...perfume da água, do carvalho meu amigo, da suavidade do sol sobre minha pele, da água tépida... não, eles são muito fechados em si mesmos para compreender essas coisas banais e simples”
“Ninguém é suficientemente louco ou bastante infeliz para procurar paz de espírito nesta noite chuvosa”
Fragmentos que me fascinaram completamente nessa narrativa atraente e cativante
Pra variar: Vale a pena!