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sábado, 5 de fevereiro de 2011

DUAS MENINAS E UM AMOR


Karina Dias de fato me prendeu a atenção em uma leitura dinâmica de cerca de sete horas. Uma tarde pós trabalho, uma rede na varanda e um copo com água foram meus companheiros nessa aventura.

De fato a revisão, ou talvez a falta de revisão da editora Malagueta, chegaram a me irritar. Os erros de ortografia e de gramática chegaram a me tirar do sério. Não gosto de trabalhos mal feitos nesse sentido. Até porque, ao comprarmos um livros pagamos por um serviço (criatividade e transpiração do(a) autor(a), qualidade do papel, do designe, a revisão e por aí vai) e nesse caso faltou o trabalho do revisor.

Voltando ao trabalho de Karina Dias, reitero que o título me cativou durante as cerca de sete horas de leitura. Ela vai narrando e você vai viajando na trama, querendo devorar cada página pra saber da seguinte.

O formato de capítulos alternados de escritas com perspectivas de ambas protagonistas é uma pimentinha que ajuda a leitura a não ficar enfadonha.

Na verdade houve alguns momentos em que a leitura ficava um pouco monótona, com diálogos que aparentemente, se subtraídos não deixariam a trama com menor sabor.

Senti falta, obviamente, daquela perspectiva filosófica de alguns títulos, onde adentrando no espaço interior dos protagonistas, os autores filosofam e apimentam a leitura com perspectivas de mundo diferenciadas e mais ou menos profundas. Karina de certa forma não adentra nessa perspectiva (talvez intencionalmente) se limitando ao óbvio, ao mais superficial.

Eu particularmente fiquei atraída pela temática. Um romance de temática homossexual, que até pouco tempo eu pouco conhecia. Pra mim ainda é uma nova realidade na qual eu estou tateando.

Duas meninas. Duas realidades substancialmente díspares. Da monotonia de uma rotina ao perigo de uma vida de prostituta de infância traumática.

Achei fantástica a persistência de Duda. Acho que por contrastar e muito com a minha realidade de pouca disposição pra grandes desafios. Enfim, é uma história de amor. Gostei da abordagem social da realidade da família de Duda, da naturalidade com a qual a condição de homossexual dela, é aceita no seio familiar pelos irmãos, cunhada e especialmente pela mãe.

Espero que seja uma tendência essa temática se expandir na literatura, no entendimento de que nossa sociedade deve avançar rumo ao fim do preconceito e ao respeito ao amor em todas as suas formas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Muita criatividade

Com diversos contos publicados na internet, Karina Dias é um poço de criatividade.
Indubitávelmente.
Como se fosse uma amiga nos contando um causo, ela prende a atenção dos leitores. É esse o seu propósito, acredito. E ela o executa com maestria.

O mote é muito interessante, mas essa sensação de estar ouvindo uma fofoca não me atraiu.
Mas eu sou problemática, não ela.
Muitos gostam.
Até escuto as histórias dos seus contos com interesse, mas na hora da leitura, algo falta. É um texto com muitas marcas de oralidade, ótimo para ser ouvido.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

"Todo ponto de vista é a vista de um ponto" [L.Boff]


Se eu encontrasse o livro solto em uma livraria ou biblioteca, não leria.
Mas se uma amiga super entusiasmada com a trama me indica, eu leio.
Se me apegasse a edição, a revisão, a técnica, desistiria nos primeiros parágrafos.
Porém, se me apego ao tema, ignoro todo o resto.
Se o comparasse aos clássicos literários, nem insistiria.
Entretanto se distâncio o preconceito inato, leio como quem acompanha novela.
Se crio expectativas, me frusto.
No entanto, se deixo-me seduzir pela criatividade da autora, me delicio.
Para cada justificativa que quiser usar para ler, assistir, ouvir ou criar uma obra, encontrarei argumentos.
Creio que essa não é a proposta da arte. Não só da arte, mas também daquilo que passa longe de sê-la. As criaçõess devem ser vividas, experimentadas e ponto. Até para criticar é preciso conhecer, não é mesmo? É digno dizer que gosto ou não gosto de algo, mas daí a dizer se serve ou não serve é outra história. Mas não pretendo seguir esse caminho rumo à filosofia.
O fato é que o romance entre Duda, Gaby e Samantha é quente e instigante. Até o ser mais preguiçoso ler em menos de uma semana. Não só por tratar-se de um romance entre mulheres, mas também pela criatividade contida na história.  E isso torna a homossexualidade apenas um detalhe, diante de dramas bem mais relevantes vividos pelas personagens. Dramas que não são privilégios dos homossexuais vivê-los, afinal, qualquer ser vivo, exceto os vegetais, está suscetível ao amor e/ou à ausência dele.
Então, durante a fase de 'Aquele dia junto ao mar', ficou a reflexão: Se a cada passo dado eu pensar no que o outro irá pensar a respeito, eu estagno.
Contudo se sou fiel aos princípios que eu reproduzo em bom tom, vida a fora, eu publico, leio, comento e recomendo.
Desprenda-se e aproveite!  

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A HORA DELAS

A história de Duda e Gaby precisa ser lida com a emoção. A razão só vai atrapalhar, garanto. Primeiro porque você não lê exatamente, mas devora. Segundo porque você também pode apreciar com mais calma, como se estivesse sorvendo o prazer que dá fazer amor com quem se ama. É incrível como Duda e Gaby fazem amor. E não estou falando quando a coisa já chega nos finalmentes (que são deliciosos, diga-se de passagem). Estou me referindo, principalmente, ao contato verbal, às insistências de Duda, aos desdenhos tão magneticamente bem fingidos de Gaby. Isso tudo faz parte do “fazer amor” dessas duas personagens.

Ler “Aquele dia junto ao mar” é sentir em universo ideal a realidade do bom relacionamento entre mulheres. O desejo, a paixão, a entrega, o amor. Tudo isso junto dá uma confusão danada na nossa vida. Confusão boa quando tudo termina bem. Mas até terminar ambas são colocadas em muitas provas. Duda experimenta a prova da insistência e a chatice de ser rejeitada pela mulher que ama. Gaby prova, com a insistência de Duda, a vida doce que teria ao lado dela. Mas, quando olha para o seu então presente, o sabor amargo dos seus dias toma-lhe novamente o paladar. É difícil.

Essas garotas precisam de forças. Forças para suportar os caminhos tortuosos que vão dar você vai ver onde. Forças para rever conceitos, tomar atitudes e também se resignar quando o melhor a fazer é não fazer nada. Essa é a grande mensagem do livro. Não desistir, mas também saber esperar. E muitas vezes a vitória só vem quando a gente aprende que é preciso aprender a esperar. A hora certa sempre chega e quase sempre não se guia pelo relógio da nossa vontade.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Amores instantâneos

Parece que quando atração, mistério, tesão, paixão e encanto se misturam com um certo ingrediente mágico o amor aparece.

E não adianta o que aconteça, os olhos cegam para as dificuldades e até a realidade cruel passa a ser ignorada com o intuito único de fazer o amor vencer. Ao menos é assim na ficção, onde quase sempre o casal principal supera todos os obstáculos pra ficar junto no final.

Até porque, quem vai querer destruir as ilusões dos leitores mais românticos?

Karina Dias que não!
(ou sim? só lendo 'Aquele dia junto ao mar' pra descobrir.)