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domingo, 4 de março de 2012

Estrangeiro... para quem?

Um ser sem paixão. Sem paixão pelo momento, pelas coisas, pela pessoa, pela vida. Tudo transcorre sem a menor vontade, sem o menor ímpeto, nem desejo. “Hum Hum. Tá certo” “Hum Hum. Tá certo”, é o que imagino que Mersault mais diria se fosse um de nós, hoje em dia.

Não ter as reações esperadas diante das situações foi o seu crime. Ele não correspondeu às expectativas morais do outro, da outra, da sociedade, de ninguém. A condenação talvez tenha sido a sua libertação.

Para quantos não seria?

domingo, 12 de junho de 2011

Phoebe e Alice...



O livro já havia sido lido há tempo, muito tempo. 
Ao relê-lo emergiu uma velha sensação, não sabemos quem somos.
Alice não sabia, nem se importava.





O diretor, Daniel Barnz, conseguiu com excelência retratar o livro de  Carroll. 
Ele faz um excelente paralelo entre Alice e Phoebe, uma não é a outra, mas elas se entrelaçam. E simplesmente são, sem justificativas, SÃO.




Diante de tanta falta de compreensão, um adulto, sua professora de Artes Dramáticas, reconheceu, compreendeu e acolheu Phoebe.
"Em um certo momento da sua vida, provavelmente quando a maior parte dela já tiver passado, você vai abrir seus olhos e ver quem você realmente é, especialmente por tudo que a tornou tão diferente de todos os horríveis normais. E você vai dizer para você mesma: "Mas eu sou essa pessoa."


segunda-feira, 18 de abril de 2011

O que é nosso?


Diante de histórias impressionantes a que me tocou de uma maneira marcante foi a de An-Mei e Rose, mãe e filha que trouxeram em si a semente de uma geração, apesar da enorme distância entre elas.

Doar-se demais é não se dar o devido valor, temos que nos colocar. Temos que ser em um relacionamento. Isso é o que nos faz chamarmos de RELACIONAMENTO.  Tem que existir dois. A passividade faz com que a relação vire um monólogo, e ninguém quer relacionar-se para se sentir único.
Essa parte do filme retrata bem isso:

Você é como minha mãe. Nunca sabe o seu próprio valor. Até que seja tarde demais.
Imagem: Google
Eu lhe conto essa história porque fui criada à maneira chinesa. Foi-me ensinado a nunca desejar nada, engolir miséria alheia e para absorver minhas próprias amarguras. E apesar de eu ter ensinado a minha filha o oposto, ainda assim ela se tornou do mesmo modo. Talvez porque ela seja minha filha, uma menina. E eu sou filha da minha mãe e nasci uma menina. Todas nós como degraus de uma escada, uma após a outra, degrau acima, degrau abaixo, mas no final indo para o mesmo caminho.
Mas, não, assim não pode ser. Isso que você faz, é não saber o seu valor próprio. Isso não começou com você.
An-Mei falando para a sua filha Rose

domingo, 10 de abril de 2011

O Clube no Faultless

Foto: Anna Flávia

O Grupo Café com Leitura se reuniu no último sábado com todas as integrantes presentes. O encontro ocorreu no Café Faultless em Boa Viagem. Depois de uma saga para encontrar um lugar legal, finalmente achamos. Em um ambiente muito agradável, discutimos sobre o filme “O Clube da Felicidade e da Sorte” do diretor Wayne Wang, baseado no livro homônimo da autora Amy Tan. Uma discussão coordenada por Bárbara, que indicou o filme. Todas concordaram que o filme é muito intenso. Com uma narração singular, na qual histórias se entrelaçam e emocionam, nós nos colocamos diante de diversos sentimentos. Umas falando mais e outras quase nada, ou nada, mas todas se colocaram. E certamente se emocionaram, e se enxergaram, em alguma das histórias relatadas no filme.
Foi intenso. Foi verdadeiro. Foi inteiro.
De verdade, foi um encontro.



Próximo encontro: Dia: 30/04/11
Tema: Cinema e Literatura
Livro: o filme "A menina no país das maravilhas" de Daniel Barnz e o livro "Alice no país das maravilhas" de Lewis Carroll
Indicação: Glenda

sábado, 2 de abril de 2011

E essa tal felicidade?

Imagem: Google
A pergunta que ficou depois da leitura... Felicidade conjugal existe?

Bem felicidade é um momento efêmero valorizado.
O que conta é a valorização.
Por muito tempo Macha valorizou aquela felicidade que ela julgará ser a única existente. Nesse caso a valorização lhe trouxe tristeza, pois não mais a tinha, se instalou a melancolia. Mas depois de uma catarse, ela percebe que a felicidade sempre estará ali, basta valorizá-la.

Porque não somos sempre felizes? 

Não sabemos valorizar o que nos faz bem?

Bem... o texto é muito bom. 
Leve e tranquilo! 
Diferente do meu pré-conceito com escritores russos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

No fluxo de Virginia Woolf

Foto: Manuela Lins

O primeiro conto que li de Virginia Woolf foi Lappin e Lapinova e amei! Achei extraordinário como ela falou sobre amor, cumplicidade e sobre a instituição do casamento.

Porém, quando li os outros contos, me senti desnorteada, perdida, sem rumo...

O fluxo mental de Virginia é confuso, como podemos imaginar que eram os seus pensamentos.

A obra é excelente e instigadora, desafiante e interessante.

O rio caudaloso do pensamento de Virginia desemboca em vários afluentes que nos levam para longe do tema central e depois volta, mergulha fundo no rio outrora abandonado.
Assim são diversos contos, principalmente A Marca na Parede.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Antes de Lygia...


Antes de Lygia,

raramente, tinha lido e me visto em contos...
esporadicamente, tinha não entendido e gostado...
não muito frequentemente, tinha entendido e gostado...
dificilmente, me identificará com tanta peculiaridade...
pouquíssimas vezes, tinha me emocionado ao lembrar...

eu NUNCA tive tanta certeza de que é possível.

Antes do Baile Verde é um livro extraordinário.

Pontuo os contos: As pérolas e Natal na Barca

"Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E e sentia bem naquela solidão."

Foto: Manuela Lins

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Muita criatividade

Com diversos contos publicados na internet, Karina Dias é um poço de criatividade.
Indubitávelmente.
Como se fosse uma amiga nos contando um causo, ela prende a atenção dos leitores. É esse o seu propósito, acredito. E ela o executa com maestria.

O mote é muito interessante, mas essa sensação de estar ouvindo uma fofoca não me atraiu.
Mas eu sou problemática, não ela.
Muitos gostam.
Até escuto as histórias dos seus contos com interesse, mas na hora da leitura, algo falta. É um texto com muitas marcas de oralidade, ótimo para ser ouvido.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um homossexual pode ser mãe/pai?


A partir do momento que decidimos ter filhos, começamos a adentrar em um mundo misterioso.

Não podemos prever como nada será. É diferente porque o casal é composto por pessoas do mesmo sexo? Por que? Os mistérios são os mesmos, nem mais, nem menos. Estaríamos privando esse futuro serzinho de um pai ou uma mãe por escolha? Também acredito que não, pois ser gay não é escolha. E o fato de ser gay impede de ser mãe/pai? Não, definitivamente não. O fato de uma futura criança nascer em uma família composta por duas pessoas do mesmo sexo não deve ser encarada como um pesar, como uma perda. "ahh essa criança perdeu a oportunidade na vida de ter uma pai (ou mãe, dependendo do casal)" Não, ele não "perdeu" a oportunidade, ele está vivo, bem cuidado, com carinho e com muito amor, essa é a melhor oportunidade de viver. Para mim, certas questões são mínimas diante da magnitude que é a vida. Se o futuro serzinho quiser saber as suas origens? Saberá. Mas isso trará algum vínculo afetivo? Dependerá de como ele(a) entenderá a vida, amores, cuidado, dependerá de como ele entenderá o que é ser FAMÍLIA. E ele(a), se tiver a sua família, mesmo que seja homoparental, bem estruturada, não sentirá buracos emocionais que precisem ser preenchidos por terceiros, alheios a tudo.
Bem, mas esse foi um dos pontos da discussão de sábado. Só que o fato de uma casal homoafetivo ter filhos não é nem questionado no filme. Mas foi questionado no encontro.
São muito os pontos que o filme levanta... esse foi o que me tocou.

Imagem retirada do Google.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

'Brasil, mostra a tua cara!'

Somos todos negros, de fato. Viemos todos da mesma raiz. Eu: loira de olhos azuis, porém com o “pé na senzala”, como diriam alguns. Referindo-se ao fato de que negro só veio ao Brasil para ser mão-de-obra. Sim, ele veio para ser a mão-de-obra, também, mas não só. Ele veio, também, para ser a base dessa nação.
Imagem: Google
O brasileiro - quer queira, quer não – é negro.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sincera entrega


Quando Leone escreve em seu diário ela não quer machucar, nem afrontar ninguém.

Ela quer se entender, entender essa vida que a rodeia, seus sentimentos mais profundos.

Ela se entrega ao seu diário com uma inocência e com uma sinceridade que muitos não fazem, e por causa dessa sua franqueza ela paga um alto preço. É rechaçada pelos que a rodeiam.

De fato as mazelas da cidade estão naquele caderno, por isso o rebuliço, a revolta, a agressividade.

Usam o preconceito para desfocar os seus podres, por isso ressaltam tanto o namoro das duas. É esse o fato que tem que ser exaltado para ser punido, e não as delações de Leone.

Ficam para mim duas questões:
Quantas pessoas não exaltam o que não é habitual no outro para esconder o tosco que existe nelas?

Será que existe pessoa nesse mundo que escreve tudo o que realmente pensa? Que se entrega a escrita sem medidas e sem pensar que um dia alguém poderá ler?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Renúncia


Chora de manso e no íntimo... Procura
Curtir sem queixa o mal que te crucia:
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura. [...]

Versos escritos em 1906, mas que são tão atuais.
A magia da poesia está aí... nos encontrarmos com o passado por sentimentos atemporais!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Liberdade?!

Ser livre é algo tão complexo.
O meio precisa nos oferecer oportunidades de conhecimentos e precisamos ter o impulso para ir em busca dos mesmos.
Muitas vezes, somos expostos a diversas possibilidades de crenças e atitudes, e mesmo assim torna-se mais cômodo ficarmos presos ao que nos foi ensinado sem questionarmos.
Essa é uma maneira de estarmos presos.
Precisamos ter conhecimento da diversidade e coragem para não aceitar aquela que nos limita.

Simone de Beauvoir não se limitou.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Amor: nosso.


O amor é algo tão, tão pessoal.

O amor inventado e não correspondido: é nosso.

O amor que partiu para sempre: ainda é nosso.

O amor que virá e não saberemos como será: é nosso.

Não há no mundo quem possa arrancá-lo de nós.

Nem mesmo a morte,
nem mesmo a distância,
nem mesmo a vida.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O que você faria?

Foto: Manuela Lins
Eu me perguntei diversas vezes durante o filme. "O que eu faria?" A dúvida de desistir ou não foi a que me deixou mais abalada. Consigo me colocar no lugar daquela mãe que escolhe não continuar tendo uma sub vida e diz que se dependesse dela levaria o filho também. Não, não sei se eu conseguiria desistir sem saber que não fiz o máximo. Eu acredito que iria sim até o extremo, como fez o pai.

Certo, não me mataria. Mas, e agora? O que faria? Criaria uma ilusão para meu filho, para que ele não percebesse (ou pelo menos amenizasse) o que havia sobrado do mundo? Ou seria dura e realista, como foi o pai do menino? Não sei. Lembro-me do filme "A vida é bela" onde também há uma criança vivendo em uma situação extrema, esta vive na ilusão. Não sei se teria força e imaginação o suficiente para entreter meu filho em meio a tanta fome e destruição.

Porém, para mim o mais importante de tudo isso é que o diretor conseguiu me deixar num beco sem saída! Não consegui julgar nenhum ato do pai, todos são compreensíveis, mesmo existindo outra possibilidade, fiquei de mão atadas, sem conseguir dizer o certo ou errado.

Depois de tudo, isso fica martelando em minha cabeça: há várias possibilidades. Sempre há, e várias podem dar certo.
Aprendi a ser mais compreensiva.

domingo, 8 de agosto de 2010

"Canta que a vida é um dia..."


Ficamos esperando por muito tempo que tudo na nossa vida aconteça. Tem que ser já, tem que ser agora. Esperamos, esperamos, e? Nada! E agora? O que está faltando? Rilke me ensina que o maior responsável por essa espera infinda somos nós. Nós que, por muitas vezes, só sabemos esperar, esperar, esperar... esquecemos de realizar. De olhar para nós mesmos e nos questionar, nos inspirar, nos instigar. Tudo está em nós mesmos. Viver e ser é um ato solitário. A princípio não concordei com essa exaltação à solidão de Rilke, mas a compreendi. É a solidão de sermos nós mesmos, mesmo que com influência do meio, mas sejamos nós. Despidos de qualquer hipocrisia.
Não devemos pensar que por causa da referida solidão devemos estar isolados e alheios ao convívio (como cheguei a pensar no início). Essa solidão é maior do que um simples afastamento de tudo. É o encontro conosco e o amadurecimento diante disso. É quando percebemos que por mais iguais que possamos parecer estamos sozinhos em diversos pensares dessa vida. E isso não exclui o envolvimento afetivo (O que seria de mim?). Até porque o amor chega para nos ajudar a nos encontrar na mistura com o outro.

"O amor constitui uma oportunidade sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo, tornar-se um mundo, tornar-se um mundo para si mesmo por causa de outra pessoa..."