
“ A verdadeira moral zomba da moral.”
Blaise Pascal
Blaise Pascal
Numa típica cidade americana, ocorre - sem explicação ou detalhes - uma catástrofe natural que parece ter assolado toda a humanidade. Com escassez de água, comida e outros recursos, os seres humanos são levados ao limite.
A Estrada narra o desastre geral e o drama pessoal causados pelo caos decorrente desta tragédia. Os poucos personagens são agentes e vítimas de uma mudança social que os leva – e a nós também – a questionar valores e crenças estabelecidos em tempos de ordem e que agora parece terem sido esvaziados de sentido.
A luta do pai para manter seu filho alimentado, aquecido e seguro mesmo diante de tanto horror e miséria, contrasta com a aparente apatia e covardia da mãe, que prefere se deixar morrer a se sujeitar ao que chama de subexistência ou de ficar à mercê da atrocidade cometida por alguns grupos.
Pode-se, a partir dessas diferentes posturas, refletir, de modo mais abrangente, acerca da moral. Poderíamos começar diferenciando a moral estabelecida da moral pessoal, sendo a primeira o conjunto de regras determinadas para a harmonia do grupo, enquanto a segunda pode ser entendida como a reflexão crítica e singular que o indivíduo faz da realidade a partir de sua experiência pessoal.
A ideia de seres humanos estocando e se alimentando de outros serem humanos é aterrorizante, porém se tornou um ato razoável (e talvez racional por visar a sobrevivência) para um determinado grupo. Contudo, esta escolha se mostrou questionável e condenável para tantos outros, que preferiram continuar acreditando e optando pela solidariedade e manutenção da civilidade conhecida até então.
Numa situação extrema, quem estaria certo?
A Estrada pode nos proporcionar tantas reflexões em tantas instâncias (social, psicológica, espiritual...) que foi inevitável ver cenas de pilhamento humano, desbarate da propriedade privada e etc e não correlacioná-las com as distorções geradas pelo capitalismo e outros sistemas em desequilíbrio.
Mas estas são questões mais pesadas e sérias e não pretendo abordá-las, por isso retomo a ideia da moral pessoal.
O garoto, nascido em meio à tragédia, tem seu caráter forjado através dos ensinamentos do pai de que o mundo é dividido entre homens bons e homens maus, e é estimulado a manter a "chama da bondade" acesa.
O ambiente de amor, cuidados e sacrifícios por parte desse pai, formam no pequeno sua própria moral, que não usa a miséria como desculpa para não nutrir pelo próximo sentimentos de compaixão e doação. Mesmo diante do "apagar da chama" de seu pai, rejeita a lógica do indiviadualismo e selvageria em nome da sobrevivência.
Em nossa reunião, discutimos se era possível que alguém que não conheceu a ordem pudesse expressar sentimentos puros e nobres como os que o garoto tinha... talvez esta seja uma reflexão, como citei, de instância espiritual.
Creio que cada um escolhe a estrada que quer seguir!
A Estrada narra o desastre geral e o drama pessoal causados pelo caos decorrente desta tragédia. Os poucos personagens são agentes e vítimas de uma mudança social que os leva – e a nós também – a questionar valores e crenças estabelecidos em tempos de ordem e que agora parece terem sido esvaziados de sentido.
A luta do pai para manter seu filho alimentado, aquecido e seguro mesmo diante de tanto horror e miséria, contrasta com a aparente apatia e covardia da mãe, que prefere se deixar morrer a se sujeitar ao que chama de subexistência ou de ficar à mercê da atrocidade cometida por alguns grupos.
Pode-se, a partir dessas diferentes posturas, refletir, de modo mais abrangente, acerca da moral. Poderíamos começar diferenciando a moral estabelecida da moral pessoal, sendo a primeira o conjunto de regras determinadas para a harmonia do grupo, enquanto a segunda pode ser entendida como a reflexão crítica e singular que o indivíduo faz da realidade a partir de sua experiência pessoal.
A ideia de seres humanos estocando e se alimentando de outros serem humanos é aterrorizante, porém se tornou um ato razoável (e talvez racional por visar a sobrevivência) para um determinado grupo. Contudo, esta escolha se mostrou questionável e condenável para tantos outros, que preferiram continuar acreditando e optando pela solidariedade e manutenção da civilidade conhecida até então.
Numa situação extrema, quem estaria certo?
A Estrada pode nos proporcionar tantas reflexões em tantas instâncias (social, psicológica, espiritual...) que foi inevitável ver cenas de pilhamento humano, desbarate da propriedade privada e etc e não correlacioná-las com as distorções geradas pelo capitalismo e outros sistemas em desequilíbrio.
Mas estas são questões mais pesadas e sérias e não pretendo abordá-las, por isso retomo a ideia da moral pessoal.
O garoto, nascido em meio à tragédia, tem seu caráter forjado através dos ensinamentos do pai de que o mundo é dividido entre homens bons e homens maus, e é estimulado a manter a "chama da bondade" acesa.
O ambiente de amor, cuidados e sacrifícios por parte desse pai, formam no pequeno sua própria moral, que não usa a miséria como desculpa para não nutrir pelo próximo sentimentos de compaixão e doação. Mesmo diante do "apagar da chama" de seu pai, rejeita a lógica do indiviadualismo e selvageria em nome da sobrevivência.
Em nossa reunião, discutimos se era possível que alguém que não conheceu a ordem pudesse expressar sentimentos puros e nobres como os que o garoto tinha... talvez esta seja uma reflexão, como citei, de instância espiritual.
Creio que cada um escolhe a estrada que quer seguir!



