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| Imagem: Google |
Casamento estável (!?), um amante, um marido (que nem sonha), duas filhas, pais divorciados. Amigos poucos. Vida social normal pra uma mulher casada: encontros familiares, amigos da classe social correspondente (burguesia). Na cabeça, mil idéias, mil questionamentos, mil porquês.
Laurence é justa e correta, uma publicitária normal. E Simone de Beauvoir apenas se encarrega de adentrar sua mente e nos conduzir nesse emaranhado mental nas deliciosas 140 páginas de As belas Imagens, ao íntimo dessa mulher.
Laurence é apenas uma grande questionadora. Ela cria, recria, analisa, modifica, reconsidera, elenca, tria, pondera, assusta-se, frustra-se si quando frusta os outros. Da adolescência de menina impecável, perfeita, moça excelente, direita, primorosa, perfeita... Laurence diz adolescência podada, limitada, restrita.
Laurence questiona sua vida, sua felicidade, enxerga a alegria, questiona a felicidade, tenta justificar a solidão, tenta entender as trivialidades do olhar/perspectiva da mãe sobre a vida e a profundidade da solidão do pai, em todas as nuances dos seus mistérios (com seu pai, nem as banalidades são banais, por causa daquela luz de cumplicidade nos olhos dele).
Laurence tenta ser uma boa mãe, espelhando-se inclusive nos equívocos cometidos com a própria em infância.
Laurence repensa o “caso extraconjugal” e não o casamento.
Laurence repudia a trivialidade.
Percebi um quê de superioridade nesse questionar-se contínuo. Nessa apatia, nessa perspectiva deja vu incondicional diante de muitos fatos (... não se tem razão contra todo mundo...).
"Eu não era uma imagem; mas outra coisa também não: nada"
Fiquei com vontade de Ler mais Beauvoir. De me apoderar mais do saber existencialista.