terça-feira, 30 de novembro de 2010

'Brasil, mostra a tua cara!'

Somos todos negros, de fato. Viemos todos da mesma raiz. Eu: loira de olhos azuis, porém com o “pé na senzala”, como diriam alguns. Referindo-se ao fato de que negro só veio ao Brasil para ser mão-de-obra. Sim, ele veio para ser a mão-de-obra, também, mas não só. Ele veio, também, para ser a base dessa nação.
Imagem: Google
O brasileiro - quer queira, quer não – é negro.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

BRASILEIROS: FILHOS INGRATOS DE UMA "MÃE PRETA"?

Imagem: Google
Franck Pierre foi implacável, pragmático e muito feliz ao filosofar de maneira coerente e serena sobre o tema. Sem pestanejar, ao final do texto, eu tinha chegado a uma conclusão sólida e facilmente perceptível aos meus olhos: no Brasil não se dá importância ao continente africano e as suas populações no que tange o processo histórico de formação da sociedade brasileira.
Na escola aprendemos todos nós, além de que a minhoca é hermafrodita e sobre a tênia solitária, que o Brasil tem uma pátria mãe. E essa é Portugal.
Mas franck Pierre foi longe e conseguiu discutir as implicações, do ponto de vista político, identitário e pedagógico, ligadas à discussão sobre o lugar da África na análise da sociedade brasileira.
Nossa pátria mãe então, apesar da não menos rica cultura e linda língua que nos deixou de herança, temos de relembrar: entrou sem ordem nas terras de cá, vindos das bandas de lá do Atlântico; ignorou os que aqui moravam (tupis guaranis, macro-jês, tapuias, arauaques, caraíbas...), não apenas escravizando, como oprimindo, estuprando, mudando costumes e violentando a cultura e a religião. Mas
Não satisfeitos (nossos pais portugueses) com os “prequiçosos indiozinhos” que não entendendo o porquê do dever de trabalhar para brancos recém-chegados, se negavam ao atendimento das ordens brancas, a alternativa foi trazer os negros africanos para essa etapa da “implantação” da civilização na terra do pau Brasil.
É engraçado, a imagem que vem a cabeça: centenas de navios, cruzando os mares com homens e mulheres negros. E ponto. Não quero me culpar por essa imagem, mas é com ressentimentos que vejo o quanto minimizei por anos o assunto.
Naqueles navios, como lembrou Franck Pierre, vinham africanos de diferentes camadas sociais, sacerdotes, guerreiros, reis, pastores, que tinham religiões diversas, procediam das mais diferentes regiões e culturas, inclusive muitos pertencentes a grupos rivais.
Todos violentamente retirados de seu mundo, de suas culturas, de seus cantos, de suas pátria, de suas famílias, pra virem pra uma terra distante, carregados como animais, dentro de porões de navios sujos, passando sede, frio e fome. Suscetíveis a doenças de todas as espécies, tentando sobreviver aos meses de viagem pro “novo mundo”.
Meu Deus... essa é a nossa história.
Mas quem são nossos pais? Os que “descobriram” uma terra já descoberta e habitada por milhares de moradores? Que passaram pelo atlântico em busca de riquezas pra pagamento de suas dívidas e enriquecimento de sua nobreza? Os milhares de nativos que já resisdam em terras brasileiras? Ou os donos dos braços que literalmente ergueram a estrutura “civilizatória” dessa terra?
Tirem suas conclusões... eu já tenho as minhas.
Pra mim somos filhos miscigenados de múltiplas raças e culturas. Temos valiosos genes felizes de gente branca européia, de índios nativos da nossa pátria e de nobres negros africanos. Somos gente rica de valores, produto de um cruzamento genético muito feliz que deu origem a esse povo maravilhoso que somos nós, os negros-índios-brancos brasileiros!
Uma lástima é nossa educação. Uma lástima é o valor dado ao nosso minimizado passado negro e índio. Uma lástima é o preconceito que existe dentro de cada um de nós. Uma lástima é o entendimento deturpado e ignorante que aprendemos desde a mais tenra idade.
Hoje o cidadão brasileiro negro, continua segregado (ache ruim, ler isso quem quiser), mas continua. E não sou eu quem digo isso, são os fatos, os números, a realidade!!
Hoje, poucos negros conseguem chegar ao ensino superior. Antes de 2004, quando as cotas foram estabelecidas na Universidade Federal da Bahia, por exemplo, apenas 4% dos alunos do curso de Medicina eram negros, enquanto que, no estado, 70% da população se declarava negra. Era uma exclusão que não se vê igual nem na África do Sul, durante o Apartheid.
Os brasileiros precisam encarar a questão da desigualdade sob o ponto de vista racial. Até 1970, 90% dos negros eram analfabetos, porque, após a abolição da escravidão, o Estado abandonou os negros, ao contrário do que fez com os imigrantes, que foram financiados pelo governo para virem para o Brasil.
Certamente que a real saída é a educação pública de qualidade, com políticas sociais que minimizem as diferenças, mas as políticas temporárias de ações afirmativas como as instituições de cotas raciais, que diminuem a grande distância que ainda existe entre brancos e negros no país, são ao meu ver fundamentais.
O Brasil tem uma dívida histórica com os negros e já passou da hora de o governo federal, encarar isso de frente, enfrentar os preconceitos e as distorções dos discursos e corrigir minimamente esse saldo histórico. Gilberto Freyre disse que ninguém liberta ninguém e ninguém se liberta sozinho. A gente só se liberta pela comunhão. E ele estava certo!
Vou respeitar muito quem falar da constituição, de quem levantar a questão genética de que somos todos negros, etc, etc, etc, mas como o tema foi levantado na mesa, registro meu total apoio a política de cotas raciais. No entendimento de que a dívida histórica de séculos de abandono aos negros,vai demorar muito pra ser paga.
E quanto às distorções... justificar que a política de cotas as alimenta, é justificar que o Bolsa família deve deixar de matar a fome de muita gente miserável, pelo fato de existirem muitos malandros e mal elementos, que sem necessitar, recebem o auxílio. O problema não é do programa, da teoria e sim da prática criminosa de quem deturpa o sistema. Não dá pra ser contra cotas, por esse argumento. As distorções devem ser corrigidas. Sei que tem sangue negro correndo em minhas veias e nas veias de cada brasileiro (e burro é alguém se achar branco em nosso país), mas acho que todo mundo tem elementos mínimos pra entender que se os genes que predominaram na determinação de sua cor, forem os genes que determinarem sua cor negra, as chances de você ter menos chances, são inúmeras. Não adianta negar.
Viva José do Patrocínio, João Alfredo, Zumbi dos Palmares, Princesa Isabel, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa, André Rebouças, Luíz Gama, Antonio Bento e todos os outros milhares de abolicionistas anônimos que combateram a seu tempo, com entendimento 'são' e avançado, o direito dos negros serem seres humanos, como sempre foram. Aos grandes homens e mulheres que numa época atrasada e hostil, enfrentaram o sistema, não se acomodaram, não se subjugaram, não foram convencidos pelos discursos hipócritas de uma maioria inescrupulosa que por séculos conseguiu convencer, os míopes que se recusavam a pensar.
Viva os negros de nossa pátria mãe gentil. Que essa pátria também seja mãe gentil de cada cidadão negro do país. Que a eqüidade seja lembrada como uma necessária borracha corretiva. Que no futuro consigamos nos ver como iguais (como todos somos) e que as cotas, estejam apenas nos livros didáticos, lembradas apenas como remédio temporário que ajudou pra que nesse país, os brasileiros conseguissem se ver como iguais e terem as mesmas oportunidades, independente de cor.
BRASILEIROS:FILHOS INGRATOS DE UMA "MÃE PRETA"? Acho que tá na hora mudarmos essa história.

"RACISMO É BURRICE"

Imagem: Google

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral


Racismo é burrice

Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais

O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?

Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura

Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral

Racismo é burrice

Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos

Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral

Racismo é burrice

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você

Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando

Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice

Racismo é burrice

E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.

Racismo É Burrice

Gabriel O Pensador

Composição: Gabriel O Pensador
Fonte: letras.com

terça-feira, 23 de novembro de 2010

NO MERCADO 153

A (in)consciência sobre o racismo que infelizmente ainda existe na sociedade contemporânea foi o tema de discussão do último encontro do grupo Café com Leitura, realizado sábado, dia 20, no bar Mercado 153, no Shopping Guararapes, em Piedade.
Ana, Anna Flávia, Bárbara, Glenda, Manuela, Leusa e Lila debateram sobre o texto “África, Mãe Negra do Brasil ou Apontamentos para uma nova consciência multicultural”, indicado por Glenda. O dia foi duplamente especial: todas reunidas e também foi o Dia da Consciência Negra.


O texto-tema do debate é de autoria do sociólogo francês Franck Pierre Gilbert Ribard. Ele traz importantes reflexões sobre as relações estigmatizadas entre o Brasil e o continente africano. Ao lermos o material, paramos para pensar com mais atenção sobre o preconceito racial quando estudamos nossas verdadeiras raízes, as raízes africanas. A leitura, muito leve embora o tema seja espinhoso, pode levar-nos a uma conclusão bem resumida, sem querer ser minimalista: “Somos todos negros, sim”.

A discussão em torno do texto de Franck também suscitou uma outra que integra o nosso cotidiano: as cotas de negros nas universidades públicas. O assunto, provocado por Ana, gerou polêmica (que bom!). O grupo ficou dividido, ou semi-dividido em dois polos: cotas para negros ou cotas sociais? O que seria mais justo? Bom, a visão sobre essas e outras reflexões vamos conferir nos próximos dias, com as postagens das integrantes do grupo.

Próximo encontro:
Dia: 11/12
Tema: Cinema
Filme: Minhas mães e meu pai
Indicação: Manuela

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sincera entrega


Quando Leone escreve em seu diário ela não quer machucar, nem afrontar ninguém.

Ela quer se entender, entender essa vida que a rodeia, seus sentimentos mais profundos.

Ela se entrega ao seu diário com uma inocência e com uma sinceridade que muitos não fazem, e por causa dessa sua franqueza ela paga um alto preço. É rechaçada pelos que a rodeiam.

De fato as mazelas da cidade estão naquele caderno, por isso o rebuliço, a revolta, a agressividade.

Usam o preconceito para desfocar os seus podres, por isso ressaltam tanto o namoro das duas. É esse o fato que tem que ser exaltado para ser punido, e não as delações de Leone.

Ficam para mim duas questões:
Quantas pessoas não exaltam o que não é habitual no outro para esconder o tosco que existe nelas?

Será que existe pessoa nesse mundo que escreve tudo o que realmente pensa? Que se entrega a escrita sem medidas e sem pensar que um dia alguém poderá ler?