quarta-feira, 27 de junho de 2012

A arte da manutenção de si mesmo



O romance de é daqueles para ir lendo aos poucos, interpretando, nem que você passe uma hora lendo  duas páginas. Porque é um livro que nos convida a pensar. Às vezes, dá vontade de desistir, mas quando nos permitimos, terminamos a leitura com o pensamento modificado e isso não tem preço. Vale a pena se debruçar sobre o livro e refletir sobre nossa própria manutenção.

"Todos nós somos muito arrogantes e presunçosos na hora de desmistificar os fantasmas dos outros, mas somos tão ignorantes, bárbaros e supersticiosos quanto eles em relação aos nossos próprios fantasmas."p.35

"-Na realidade, a paz de espírito não é uma coisa superficial de modo algum - começo o discurso. Ela é tudo. O que a produz é a boa manutenção; o que a perturba é a manutenção deficiente."p.163

"A ansiedade, uma armadilha que resulta do excesso de motivação, pode produzir todo tipo de erros devidos ao cuidado excessivo. Você conserta o que não precisa de conserto e sai em busca de males imaginágios."p.318



sexta-feira, 22 de junho de 2012

Filosofia e arte numa narrativa profunda

A wikipédia diz que Robert Maynard Pirsig é um escritor e filósofo e que foi uma criança super dotada, com QI de 170 aos 9 anos.

Eu depois de ler "Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas" realmente não duvido. Um livro realmente muito bom, que trata de questões sobre a forma como vivemos, sobre como conseguir equilíbrio na dinâmica complexa de nossa existência no mundo atual. O livro tem o detalhe da ousadia do autor, que me lembrando "O mundo de Sofia", fez um livro de filosofia utilizando-se da técnica da narrativa, muitíssimo bem construída e amarradinha.
A história trata da narrativa de Robert, que de férias com seu filho Chris, parte em uma viagem de motocicleta na companhia dos amigos Sylvia e Jonh. Na viagem, nós, os leitores, seguimos na garupa dos pensamentos do narrador pelas estradas, passeando por temáticas do cotidiano, arte, humanismo, religião, filosofia, educação, manutenção de motocicletas bailando sutilmente ainda com as idéias filosóficas de Kant, Hegel e Poincaré, entre outros.
Em uma confortável posição, nós os leitores passeamos com Robert pela sua mente, enquanto ele refaz a trajetória de sua vida e de seu relacionamento com a figura de Fedro. Na verdade acho mais adequado tratar de "a personalidade Fedro". O autor nas suas divagações organizadas a partir do que ele chama chautauquas (séries de palestras que visavam edificar, divertir, aprimorar o raciocínio e fornecer cultura e informação ao espectador”) pauta e organiza o desenrolar do livro, que tem um final que me fez arrepiar.
Me lembrando de uma certa amiga (ex, futura, atual membro do Café com leitura) e ainda bem impactada pela leitura de Zen, já com vontade de ler agora “Lila – uma Investigação Sobre a Moral”.


(Desculpem pelo excesso, mas foi meio irresistível não postar essas fotos. Me senti ainda mais dentro do livro...)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Zen na Dona Brigadeiro

O grupo Café com Leitura se encontrou na Dona Brigadeiro às 15h do dia 26/05/12. O lugar estava movimentadíssimo e estiveram presentes Renata, Ana Carla, Glenda, Martha, Palloma, Kleison e Viviane.

O livro que discutimos foi "Zen e a arte da manutenção de Motocicletas", de Robert Pirsig, indicado por Martha.

Uma grata surpresa esperava o grupo. Tratava-se da nova edição do livro, publicada por outra editora, acrescida de uma introdução do próprio Robert Pirsig e de algumas das cartas trocadas entre ele e seu editor.

Leiam as apreciações dos participantes do blog!

Próximo encontro: 30/06/12
Leitura: As veias abertas da América Latina de Eduardo Galeano
Indicação: Ana Carla

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Personagem padrão!


O livro A segunda vez que te conheci conta a história de Raul, um jornalista viciado em trabalho e casado com Ariela. Certo dia, sabe-se lá Deus porquê, ela resolveu deixa-lo. Mas não é preciso muito esforço para entendê-la.

Após a fim do casamento, ele começou a namorar a melhor amiga de sua ex-mulher, uma moça chamada Fabi. Em pouco tempo, Fabi mudou-se para o apartamento de Raul. E, certa noite, após chegarem de uma sessão de cinema, ela o informou que ia embora. E pela segunda vez ele sente o agridoce* da separação.

Com duas separações e uma demissão no currículo, Raul mudou-se para um flat de um amigo e passou a agenciar prostitutas. Tornou-se um verdadeiro especialista em comércio sexual. E quando Ariela o reencontrou, ele já não era mais o mesmo. Acredito que nem ele sabia mais quem se tornara.

O autor foi feliz na escolha do título, ele desperta curiosidade, faz a narrativa parecer densa, mas achei a história de Raul é profundamente rasa. Surpreenderia mais se não houvesse um caráter tão “comum” a quase toda humanidade.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quando não consigo ser contaminada


Uma expressão que me vem a mente como representativa do meu entusiasmo com a leitura de algo é a palavra "contaminação". Antes de iniciar a leitura do livro, confesso, estive bem motivada pro início das leituras. O nome de Marcelo Rubens Paiva já era conhecido. E o título, concordando com o texto anterior era, de fato, bem atraente, contudo a leitura de "A segunda vez que te conheci", se mostrou bastante maçante.

A cada passagem de página, a cada chegada a um novo capítulo ressurgia em mim uma nova esperança de que as coisas avançassem rumo a minha expectativa. Fato que, chegado à última página, não conteceu.

A impressão que me deu foi a de falta de um mínimo de humildade do autor. A história flui, mas a impressão é a de que o autor tem uma preocupação contínua e maior que a obra. É uma preocupação que subjaz nas entrelinhas.

Tentei ter o cuidado de fazer com que a minha antipatia pelo protagonista, desde o início da leitura, não fosse transferida ao conjunto da obra, mas o fato objetivo, é que isso foi se tornando complicado, à medida que eu avançava na leitura.

Marcelo não deixava de aparecer. Acho que o escritor acaba se denunciando. Na verdade não sei se tem como se desnudar de si completamente, mesmo em obras teoricamente ficcionais.

Em suma, não consegui ser contaminada pelo livro que, a propósito, não indicaria. Mas tô com disposição para ler, mais pra frente, outros títulos do autor. Quem sabe não sai a má impressão.