segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Doces, cafés e chai com Clarice, no Dalena
Postado por
Café com leitura
No último dia 14 de setembro, aconteceu o encontro mensal do CCL, e realizou-se novamente no Dalena, na Rosa e Silva. O ambiente agradável ajuda as discussões a acontecerem num clima ameno. Pra colaborar com a conversa o ambiente estava silencioso e tranquilo.
Ana Carla e Glenda Carla entre a discussão sobre algum conto ou a leitura sobre algum fragmento se deliciavam com as maravilhosas tortas, os saborosos cafés e o peculiar sabor do chai.
Clarice Lispector foi uma companhia à altura. O livro A Via Crucis do Corpo foi minuciosamente discutido quase que conto a conto. Em estilo bem diferente da sua subjetividade padrão, Clarice mostrou uma perspectiva de sua pena que será mais adiante discutida nos textos individuais.
Vale a pena conferir!
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
As palavras dos mudos
Postado por
Ana
Pra escrever sobre Balé Ralé de Marcelino Freire, me lembrei imediatamente do título de um dos livros de contos do escritor Peruano Julio Ramón Ribeyro: "A palavra do mudo". Nunca cheguei a ler tal livro, na verdade ainda não li nada sobre o autor, que está, inclusive, na minha lista pra ser um dos indicados pro CCL, por ser considerado um dos melhores contistas da literatura latinoamericana da geração de 50. Tá na fila.
Enfim, voltando ao foco da escrita, a leitura de Marcelino me deixou entusiasmada mesmo antes de começar. Ouvi falar sobre ele e já simpatizei de cara. Primeiro: o cara é pernambucano (Um Leão do Norte tende a exaltar seus iguais); segundo: assisti a um vídeo do youtube de um show lindo de Fabiana Cozza (uma lindeza de apresentação de ambos), quando Marcelino recita algumas passagens; terceiro, e mais importante, ouvi algumas pessoas BEM sectárias criticando o conjunto da obra. Pronto!!! Prato cheio!!!! Definitivamente decidi minha indicação.
Em Balé Ralé Marcelino presta um serviço de utilidade pública. Marcelino, que não é homem público, nem ordenador de despesas, em suas limitações de cidadão comum, mero homem das folhas, canetas e telas de computadores, presta um serviço aos que mal tem voz. Aos mudos compulsórios.
Balé Ralé é um show sob o ponto de vista da perspectiva socialista e libertária. Marcelino se faz voz das minorias excluídas desse nosso Brasil. Marcelino oportuniza aos tiranizados de toda ordem verem enfim refletidos, registradas e divulgadas, histórias lugar comum. Suas histórias, as histórias pejorativas, escandalosas, indignas de serem registradas pelos nobres indicados à Academia Brasileira de Letras.
E aos que se incomodam com o linguajar puro, real e vivo dos personagens, eu quase percebo Marcelino rindo enquanto escreve cada palavra ultrajante dos seus personagens. Penso que ele ri feliz em poder homenagear a cada um dos bocas-sujas brasileiros, dizendo a cada um deles que não se envergonha do que escreve, porque escreve ao seu modo, desnudando toda a maquiagem literária que os grandes gramáticos e nobres da corte das letras brasileiras tanto apreciam.
Viva as muitas lágrimas que rolam ou se afogam dentro de cada oprimido da nossa história!
Viva a coragem e a arte arrojada de Marcelino!
Viva a linguística!
Novamente tenho que repetir o que já muitas vezes falei em outras avaliações: é um autor pra ser relido. Espero que haja outras oportunidades!
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Um divertido café com Marcelino Freire
Postado por
Café com leitura
Não, infelizmente, Marcelino não estava presente em nosso café. Mas seus contos, de escrita peculiar, nos envolveram e serviram de pano de fundo para o delicioso encontro do café com leitura.
No último dia 3, nos reunimos no café São Braz do shopping Recife, tomamos chocolate e nos deliciamos com o humor do escritor contemporâneo em seu livro Balé Ralé. A obra possui 18 contos que tratam de temas que vão desde prostituição à pedofilia de maneira inteligente, bem humorada e perspicaz.
As risadas correram soltas!
.jpg)
Para o próximo encontro, temos a seguinte indicação:
Livro: A via crucis do corpo - Clarice Lispector
Para 14.09.2013
domingo, 30 de junho de 2013
Vidas que não são
Postado por
Ana
Vida:
- Duração das coisas.
- Existência.
- União da alma com o corpo.
- Espaço de tempo compreendido entre o nascimento e a morte do ser humano.
- Maneira de viver no tocante à fortuna ou desgraça de uma pessoa ou às comodidades ou incomodidades com que vive
- Alimentação, subsistência, sustento, passadio.
- Condições para viver e durar; vitalidade.
- Princípio de existência de força; condições de bem-estar, vigor, energia, progresso.
- Expressão viva e animada, animação, entusiasmo.
- Causa, origem.
- Sustentáculo, apoio principal, fundamento, essência
Ainda há tantas perspectivas pra definições... E são tantos os adjetivos pra casar. Graciliano focou nas secas.
Livro impactante! Ao meu agrado, como são todas as boas histórias que não se esquecem de fazer boas leituras sociais.
No caso de Vidas Secas a leitura é crítica. Criticamente comovedora, instigante como toda trama. Faz o coração bater em compasso oprimido. E o coração apertou tanto que houve capítulos que não reuni condições de vivenciar, como o da morte de Baleia.
Como nordestina conhecedora da realidade da seca através das minhas histórias familiares agrestinas - tanto as contadas como as presenciadas-, ler Graciliano foi perceber o quanto as telas desenhadas nas suas linhas eram vivas, apesar de secas. Como era condizente, pertinente e real aquilo tudo.Como eram os personagens fortes, apesar de fracos.
As vivências são distantes da realidade metropolitana dos muitos leitores que já degustaram o cheiro de poeira seca do sertão desenhado por Graciliano, mas duvido muito que alguém que chegue a última página possa dizer que o coração não descompassou.
Sinhá Vitória, Fabiano, Baleia, os meninos, o céu, a poeira, a fome, o medo, a ignorância, a opressão, a cidadania inexistente, o sertão sem lei, o trabalho duro, a vida que é mera existência.
Um privilégio a oportunidade dessa leitura.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Em um dia molhado, o CCL discutiu Vidas Secas
Postado por
Café com leitura
No último dia 05 de junho, aconteceu o encontro mensal do café com leitura, no Café Vila Aldeia, em Camaragibe. Foi um agradável dia chuvoso e o ambiente estava silencioso e aconchegante. Ana Carla e Glenda Carla regadas a café,
tapioca, sopa e pãozinho se deliciaram intelectual e palatalmente discutindo a maravilhosa obra de Graciliano
ramos, Vidas Secas.
O livro foi
minuciosamente dissecado. A leitura foi muito prazerosa para ambas. Graciliano provocativo e as ideias
galopantes empolgaram a discussão. As impressões sobre o livro virão em textos na sequência.
O CCL dá uma pausa para as férias em julho e volta na sequência
com a próxima indicação:
·
Próximo encontro: 04/08/2013
·
Indicação: Ana Carla
·
Título: Balé Ralé - Marcelino Freire
sábado, 25 de maio de 2013
Deus, o homem, a religião, o amor
Postado por
Ana
Uma leitura inevitavelmente provocativa . Tratar do tema religião sempre me parece uma ousadia, de forma que passo a admirar previamente o autor, independentemente do conteúdo de suas linhas.
No princípio da leitura, não nego certa má-vontade, quando da passagem do autor pela avaliação da influência de Marx e das ideias materialistas sobre a humanidade. Me pareceu que o autor tentava simplificar e minimizar a importância das ideias marxistas sobre a humanidade. Mas superei esse desconforto inicial e segui adiante na leitura, pra conseguir ao final avaliar como muito positiva a ousadia do autor.
O passeio histórico que faz, ajuda o leitor a se situar e seguir junto a construção histórica do sentido de muita coisa da perspectiva da questão da religiosidade e das construções das próprias religiões e seu sentido na vida do homem.
A instigante provocação que faz sobre a construção histórica da humanidade e o caminho que a religião percorreu, tendo Deus se humanizado na vida do homem e o homem se divinizado com as mudanças de paradigmas e novos papéis sociais assumidos, foi um arrebatamento ousado e pragmático, que o autor constrói com certo pragmatismo.
Apesar de ser uma leitura um tanto quanto densa, pros leitores menos acostumados ás reflexões filosóficas (eu me enquadro nesse grupo), o autor consegue se fazer entender e oferta um produto interessante e provocativa pros que tem interesse sobre o tema.
terça-feira, 21 de maio de 2013
O Homem Deus
Postado por
Martha
Essa é a segunda temporada do Café com Leitura que tenho o privilégio de participar. Pensei sobre qual livro indicar e acabei por escolher um que queria ler já fazia algum tempo, "O Homem-Deus" do Luc Ferry.
Nosso encontro foi no sábado, dia 04/05 e estivemos presente eu, +Ana Carla e +Glenda. Como sempre, é delicioso encontrar as amigas para conversar sobre o que estamos lendo. O encontro foi super tranquilo e começou meio despretensioso, falamos de muitas coisas até chegarmos no livro. Levantei alguns pontos que julguei que mereciam uma discussão. Ana Carla também colocou suas ideias, a partir do livro, demonstrando que tinha apreciado a leitura e Glenda fez algumas associações interessantes a partir sobretudo do início do livro.
Os posts que nascerão desse livro MERECEM nossa visita!!
Próximo encontro: 01/06
Título: Vidas Secas - Graciliano Ramos
Indicação: Glenda Carla
Próximo encontro: 01/06
Título: Vidas Secas - Graciliano Ramos
Indicação: Glenda Carla
quarta-feira, 1 de maio de 2013
O Capibaribe de João Cabral: poesia inteligente do poeta engenheiro
Postado por
Ana
Aos 32 anos de idade não posso, nem devo, me dar ao luxo de ficar me
envergonhando por minhas verdades. Ler João Cabral de Melo Neto até então era
uma aventura da qual eu ainda não tinha decidido participar.
Nos tempos surubinenses de Colégio do Amparo e Marista Pio XII o nível de
estímulo para leituras em minha vida, quase se aproximava de zero. Falo tanto
de incentivos e referências domésticas, quanto didático-pedagógicos. Lia o que “dava
na telha” e nem sempre a telha ofertava algo de útil.
Tive sorte de ao menos gostar de ler. Claro que o lamento é
pelo tempo que perdi com algumas pérolas reprováveis, entretanto, foram essas
mesmas leituras que também ajudaram a me construir enquanto ser humano, que me
ajudaram a ser quem sou, afinal como diria Ana Carolina “... nem o erro é
desperdício, tudo cresce...”
A leitura de O Rio foi um “auto-presente”. Me favoreceu
muito a temática do Capibaribe que hoje muito me tem chamado a atenção pela
pauta estadual de navegabilidade do mesmo. Eduardo Campos bancando um estudo
necessário de implementar rotas alternativas pro transporte público, tem cometido o pecado de fazê-lo de maneira amadora e irresponsável. Em suma, vão dragar o
Capibaribe em profundidade suficiente que irá superficializar os grandes depósitos de
metal pesado que dormem a longos anos em camadas profundas, provenientes da
tamanha poluição acumulada ao longo dos anos.
Então ao saber desse lançamento não tive como não querer
muito unir o útil ao agradável: ler pela primeira vez João Cabral de Melo Neto
e ter a oportunidade de saber de suas perspectivas sobre o Capibaribe.
Dito isto só me restam agora os elogios. Livro lindo! Poesia peculiar, que
emociona com a beleza com a qual ele trabalha as palavras, ilustrando-as, dando
contornos e perspectivas bem próprios. Provoca o leitor, a sabedoria do homem,
cidadão e poeta que, em profundidade, aborda perspectivas diversas sobre um mesmo tema,
sem se tornar cansativo ou repetitivo.
Impossível não registrar com ênfase a emoção de reler (dessa
vez por inteiro) Morte e Vida Severina. Muito bom descobrir (mesmo que
tardiamente) um autor recifense de tão alto gabarito e maestria. E satisfeita
por perceber e reconhecer que a temática da importância do Capibaribe pro nosso
estado, apesar de pouco pautada pelos artistas, intelectuais e políticos da
atualidade foi profundamente avaliada por um grande homem das letras
pernambucanas.
O Rio foi mais que um achado meio que ao acaso, foi uma
leitura prazerosa, uma descoberta, uma oportunidade bem feliz de conhecer e
compartilhar um pouco da sábia e perspicaz poesia de João Cabral de Melo Neto.
Gosto de quero mais!
sábado, 20 de abril de 2013
Às margens do Capibaribe, CCL navegou em O Rio
Postado por
Café com leitura
Sábado 06 de abril, aconteceu o segundo encontro da terceira temporada do CCL. Dessa vez o encontro foi realizado no Kampalla Café, no Paço Alfândega. Em pauta a poesia de João Cabral de Melo Neto com a leitura do novíssimo O Rio, um compilado de poesias que pautam o Capibaribe, suas histórias, geografia e trajetórias. Em O Rio o grupo pôde se deleitar com as leituras de poemas como Morte e Vida Severina, O cão sem plumas e outros poemas.
Ana Carla, Glenda Carla e Martha Perusi, além do agradável encontro, num local confortável e com menu variado, puderam provar crepes, sopas, chocolates, salgados e cafés. A análise de O Rio contou com a leitura de fragmentos de poesias que tocaram e dialogaram com cada uma das presentes, contando com a discussão das entrelinhas propostas por João Cabral.
Na sequência das postagens, seguem as impressões individuais da leitura.
Próximo encontro: 05/05/2013
Título: O Homem-Deus, de Luc Ferry
Indicação: Martha Perussi
terça-feira, 2 de abril de 2013
Sobre o filme Amour
Postado por
Glenda Carla
"Não estou no meu melhor momento pra falar de Amor". Foi a resposta que me veio à mente quando fui questionada pela ausência do meu texto aqui no blog. A contra-argumentação foi esta: "não é pra falar de amor é pra falar do filme".
Agora estou aqui pensando como excluir um do outro. Evidentemente milhares de leituras ocorrerão porque o filme é surpreendente em diversos aspectos. Eu que me detive ao romantismo, à cumplicidade e ao amor presentes ali.
De todos os conceitos que já li sobre o amor, que o amor é isso, o amor é aquilo, nenhum me colocou de frente com a dificuldade, com o dia a dia, com a rejeição. Quando se fala de amor, até no amor universal, falamos no equilíbrio, nas condições ideais de temperatura e pressão. E quando há desequilíbrio? E quando o ser amado nem está mais ali, em espírito? Dirão os puristas: "quando há desequilíbrio, não é amor. Não sei.
Após a doença de Anne e suas previsíveis consequências, Georges continuou lá e fez tudo do jeito que ela pediu, acredito eu que pensando no bem estar dela e não no dele. Não sabemos a pretensão de Haneke, mas uma coisa é certa: ele conseguiu surpreender com seu recorte de um cotidiano.
A forma trágica como George termina com tudo aquilo, me deixou sem palavras. Saí do cinema tentando fazer o exercício de me colocar na mesma condição pra saber o que eu faria. Até hoje não cheguei à conclusão. Mas concordo que houve amor do início ao fim.
Fonte da imagem: Pense fora da caixa
terça-feira, 19 de março de 2013
George and Anne!
Postado por
Glenda Carla
Se eu pudesse colocar trilha sonora nesse filme, essa seria a música do casal!
quarta-feira, 13 de março de 2013
O amor de Georges por Anne
Postado por
Ana
Voltar ao CCL com “Amor” foi muito bom!
Pra iniciar, na parte pragmática da montagem do texto, como subsídio, decidi auto provocar-me buscando o significado teórico da palavra amor. Donde da busca após alguns risos (da definição: tendência ou instinto que aproxima os animais para a reprodução) e algumas irritações (da definição: grande afeição de uma a outra pessoa de sexo contrário) acabo me decidindo por levar em conta o que considera o Aurélio Buarque de Holanda Ferreira:
“ 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem. 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro, ou a uma coisa. 3. Inclinação ditada por laços de família. 4. Inclinação sexual forte por outra pessoa. 5. Afeição, amizade, simpatia. 6. O objeto do amor.”
Agora nas caixinhas de som, Mick Hucknall colabora na transpiração com “You Make Me Feel Brand New” e volto ao filme com o desejo de passar bem longe de qualquer tendência julgadora.
Penso que Michael Haneke seja um homem bem pragmático. Parecendo não precisar/desejar provocar emoções nos expectadores, abriu mão de recursos como trilha sonora ou enfoque em cenas potencialmente comovedoras, pra retratar objetivamente o drama do casal.
Uma das melhores sacadas do filme, pra mim, foi fazer a inversão mais provável de condição de cuidador, que na regra competiria à mulher, para o Georges, que assumiu o papel de amoroso parceiro, amigo, enfermeiro e companheiro. Outra coisa que ressalto como fundamental é o papel de utilidade pública mesmo. Muito peculiar o trato do diretor com as minúcias sintomatológicas do AVC, as repercussões, os detalhes das limitações cotidianas com o avançar e ampliação do quadro clínico.
Como profissional de saúde, não consigo deixar de lado o olhar sobre os inúmeros desafios e dilemas da arte de cuidar. E ainda instigada pelas inúmeras definições da palavra amor, me permito concluir que sim, Georges amou Anne até o fim, foi ao seu limite físico, emocional e psicológico, vindo a decisão final, ao meu ver, como um aceno de entendimento ao que já solicitava sua companheira.
Tratar eticamente do desenlace final do filme, incluiria contaminações quase que inevitáveis, de cunho e percepções de fé, além de correr o risco de me colocar na condição, que não me compete, de julgadora. Então fecho por aqui. Amor, inevitavelmente um filme que tocou muito, pelas interpretações, em especial de Emmanuelle Riva, com aplausos concomitantes pra maquiagem convincente, pro desinteresse do autor de se utilizar de tantos recursos possíveis pra provocar emoções, que brotaram inevitavelmente quando ele conseguiu talvez o que mais quisesse: fazer a troca. Provocar profundamente o expectador para entrar nos personagens, sentir suas emoções e fraquezas, participar dos seus dilemas, das suas dores e das suas decisões.
domingo, 10 de março de 2013
A volta do CcL com Amor no Fran's Café
Postado por
Café com leitura
![]() |
| Leusa, Glenda, Ana Carla e Lila participaram da reunião |
O grupo café com leitura está de volta! Nos reunimos no último sábado, no Frans Café do shopping Rio Mar, para mais uma agradável e deliciosa discussão. O alvo da conversa dessa vez foi o polêmico filme francês Amour, dirigido pelo austríaco Michael Haneke.
O longa retrata a história de Georges e Anne, um casal de aposentados, que davam aulas particulares de música. Eles têm uma filha, que também é artista, mas ela vive com o marido em outro país. Certa feita, Anne sofre um derrame e fica com um lado do corpo paralisado. A partir deste momento inicia-se o drama do casal e o desafio de George de cuidar de si e de Anne com todo amor que ele conseguir doar.
A conversa foi agradabilíssima. Quanto ao Frans café, bom atendimento não é o seu forte, pois há muito atraso e descaso com os pedidos. O grupo nem se deu ao trabalho de avaliá-lo. Foi uma infeliz sugestão! Na sequência, teremos os textos individuais a respeito das impressões sobre o filme. Boa leitura!
Para o próximo encontro Ana Carla indicou o livro O Rio, do famoso escritor recifense João Cabral de Melo Neto, dono de uma extensa e louvável biografia.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Um divertido papo cabeça no Dalena
Postado por
Café com leitura
O grupo Café com Leitura reuniu-se no último sábado, 25, no Dalena para discutir sobre um tema pouco abordado em rodas de leitura, apesar de muito instigante. A psicopatia é o tema do livro Mentes Perigosas, escrito por Ana Beatriz Barbosa Silva.
A psiquiatra inicia a obra definindo o que é psicopatia e seus diferentes níveis, depois, analisa alguns casos famosos e, por fim, tenta nos orientar como agir em relação a esse tipo de personalidade.
Além do livro, também conversamos sobre o filme 'Precisamos falar sobre o Kevin' - do diretor Lynne Ramsay -, que rendeu boas discussões.
O Dalena possui um cardápio variado, atendimento eficiente e excelente estacionamento. Além de dois ambientes muito agradáveis: um interno, climatizado, e um externo com um jardim muito bonito. A especialidade da casa é em tortas.
Para o próximo encontro: o filme Sentidos do Amor de David Mackenzie. Indicado por Pérola França. Antes, acompanhe nossas observações sobre as duas obras da vez.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
A história de Ulisses
Postado por
Glenda Carla
A filósofa Márcia Tiburi passou mais de dez anos para entregar o romance Era meu esse rosto à editora. De acordo com a autora, esse livro trata-se de um romance baseado em uma história real que ouviu muito quando era menina. Talvez por isso ela a tenha contado essa história de forma tão especial.
O romance conta a história de Ulisses, um jovem adulto que ao receber uma carta de uma tia, decide voltar a cidade onde viveu durante a infância para resgatar as memórias de sua família.
Tiburi escreveu o romance alternando as lembranças do garoto que viveu em V com suas descobertas na viagem a V, agora adulto. Leitura complexa e instigante. O jogo narrativo faz a gente ouvir o menino e o homem Ulisses refletindo sobre sua própria história.
Eu não tinha o hábito de ler de escritores contemporâneos, mas Tiburi virou minha autora de cabeceira. Excelente descoberta!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
De quem era esse rosto?
Postado por
Café com leitura
O grupo café com leitura reuniu-se no último sábado,28, no Milla Fiorese cafés preciosos para discutir a viagem de Ulisses em busca de sua identidade familiar.
A filósofa, Márcia Tiburi, em seu recente lançamento, o romance 'Era meu esse rosto', conta a história de uma personagem que, motivado por uma carta, viaja em busca de suas raízes afetivas. A obra foi baseada numa história real que a escritora ouviu quando era criança.
O café possui um cardápio variadíssimo, ambiente aconchegante e atendimento muito especial. Além de deliciosos cafés, a casa serve almoços e vende colares e brincos de pérolas, confeccionados pelo pai da proprietária do café.
Para o próximo encontro: o livro Mentes Perigosas, de Ana Beatriz Barbosa; e o filme Precisamos conversar sobre Kevin, do diretor Lynne Ramsay.
A indicação foi feita por Albérico Figueiroa.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Veias abertas, corações dilacerados
Postado por
Glenda Carla
Não era falácia dos professores de história quando nos diziam que devemos conhecer o passado, para entender o presente e refletir sobre o futuro. Reforçando esse argumento de forma poética e sábia, Galeano nos presenteou com seu livro 'As veias abertas da América Latina'.
Nessa obra, ele nos mostra que os países latino-americanos, mesmo tendo diferentes colonizadores, tiveram suas riquezas utilizadas para um único objetivo: servir as potências. Ele afirma que "Nossa derrota esteve sempre implícita na vitória alheia, nossa riqueza gerou sempre a nossa pobreza para alimentar a prosperidade dos outros: os impérios e seus agentes nativos.
Foi nessa onda de submissão e exploração que crescemos e nos tornamos uma nação que eu classificaria como "pobre menina rica". Aqui a miséria e o luxo são vizinhas de bairro. E a nossa riqueza, que ainda vive concentrada, entope as veias e as mentes do povo, abrindo espaço para o desenvolvimento de outros países as custas de sangue e suor.
Foi nessa onda de submissão e exploração que crescemos e nos tornamos uma nação que eu classificaria como "pobre menina rica". Aqui a miséria e o luxo são vizinhas de bairro. E a nossa riqueza, que ainda vive concentrada, entope as veias e as mentes do povo, abrindo espaço para o desenvolvimento de outros países as custas de sangue e suor.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Riquesa e pobresa: faces de um mesmo enredo latino
Postado por
Ana

Exploração insessante da cana de açúcar, do ouro, da prata e de outros metais preciosos; extermínio de civilizações indígenas; tráfico e escravidão genocida de africanos: receita fácil para a impulsão decisiva do desenvolvimento da Holanda, França, Inglaterra e Estados Unidos.
O Brasil e a América Latina teriam "tido o azar" de serem ricos por natureza. A teórica "falta de sorte" do solo norte-americano, se converteu em aliado que permitiu que seus colonos, diante da improdutividade das terras recém-descobertas, um pouco mais a frente, dessem "carta branca" para que a "pobre terra estadunidense" pudesse tentar avançar a construção de sua nação através da industrialização.
O mesmo destino não teriam as terras latinas, que ricas em metais e com solo fértil só precisariam de mão de obra barata para ser explorada até o último ceitil. Desde a prata de Potosi até o ouro de Minas Gerais, as terras latina americanas financiaram o crescimento de diversos países europeus, em especial Holanda, França e Inglaterra.
Espanha e Portugal, teriam sido meras pontes do desenvolvimento dessas nações. Exlorando as terras recém-descobertas, para quase apenas, pagarem dívidas com tais países. Não chegando nunca a usufruir de fato, do produto do estrago/expoliação histórica que causaram aos países nascituros americanos.
Somente com ele, Galeano, visualizo essa possibilidade ousada de escrita. Trazer a história pro papel, de maneira leve e com sua linguagem característica. Com a propriedade e a ousadia de quem é um profundo conhecedor das mazelas da zona latina do novo continente.
Galeano além de um incansável estudioso, é um profundo apaixonado pela sua terra e um entuasta da idéia da Grande Pátria Latino Americana. Trás com entusiasmo histórias dos grandes nomes que sonharam na libertação real do nosso continente, dos grandes nomes Tupac Amaru, Juan Velasco Alvarado, José Morelos, José Artigas, Augusto Cesar Sandino, Emiliano Zapata, Simon Bolivar entre outros. Faz avaliação de conjuntura e arrisca prognósticos ousados pro futuro.
Apesar de muitas informações de As veias abertas da América Latina, já estarem superadas, o livro é rico demais. Um puxão de orelhas, um pisca alerta pra reflexão acerca da realidade. Um convite à saída do marasmo aceitacional no qual aparentemente estamos mergulhados.
Discutir a realidade atual, olhando pro umbigo e meramente pra conjuntura atual, é cair no perigoso caminho do convencimento fácil que o discurso liberal trás pra quem quiser caminho fácil.
Galeano propõe avaliar o verdadeiro "buraco" dos fatos, donde tudo nasceu. Propõe que diante do que temos vivenciado, como produto do atual sistema de produção e de relações sociais e internacionais, que consigamos, ainda em tempo, ter clareza de que nós vivenciamos em nosso dia a dia, apenas um mero desdobramento da expoliação sofrida no passado enquanto nação. Expoliação essa que serve hoje para que sociedades ricas possam usufruir através do "estado de bem estar social".
Galeano acredita na construção da Grande Pátria e na verdadeira libertação da América Latina.
As veias abertas da América Latina é um livro pra ser lido e pensado por todos os povos latino-americanos.
O Brasil e a América Latina teriam "tido o azar" de serem ricos por natureza. A teórica "falta de sorte" do solo norte-americano, se converteu em aliado que permitiu que seus colonos, diante da improdutividade das terras recém-descobertas, um pouco mais a frente, dessem "carta branca" para que a "pobre terra estadunidense" pudesse tentar avançar a construção de sua nação através da industrialização.
O mesmo destino não teriam as terras latinas, que ricas em metais e com solo fértil só precisariam de mão de obra barata para ser explorada até o último ceitil. Desde a prata de Potosi até o ouro de Minas Gerais, as terras latina americanas financiaram o crescimento de diversos países europeus, em especial Holanda, França e Inglaterra.
Espanha e Portugal, teriam sido meras pontes do desenvolvimento dessas nações. Exlorando as terras recém-descobertas, para quase apenas, pagarem dívidas com tais países. Não chegando nunca a usufruir de fato, do produto do estrago/expoliação histórica que causaram aos países nascituros americanos.
Somente com ele, Galeano, visualizo essa possibilidade ousada de escrita. Trazer a história pro papel, de maneira leve e com sua linguagem característica. Com a propriedade e a ousadia de quem é um profundo conhecedor das mazelas da zona latina do novo continente.
Galeano além de um incansável estudioso, é um profundo apaixonado pela sua terra e um entuasta da idéia da Grande Pátria Latino Americana. Trás com entusiasmo histórias dos grandes nomes que sonharam na libertação real do nosso continente, dos grandes nomes Tupac Amaru, Juan Velasco Alvarado, José Morelos, José Artigas, Augusto Cesar Sandino, Emiliano Zapata, Simon Bolivar entre outros. Faz avaliação de conjuntura e arrisca prognósticos ousados pro futuro.
Apesar de muitas informações de As veias abertas da América Latina, já estarem superadas, o livro é rico demais. Um puxão de orelhas, um pisca alerta pra reflexão acerca da realidade. Um convite à saída do marasmo aceitacional no qual aparentemente estamos mergulhados.
Discutir a realidade atual, olhando pro umbigo e meramente pra conjuntura atual, é cair no perigoso caminho do convencimento fácil que o discurso liberal trás pra quem quiser caminho fácil.
Galeano propõe avaliar o verdadeiro "buraco" dos fatos, donde tudo nasceu. Propõe que diante do que temos vivenciado, como produto do atual sistema de produção e de relações sociais e internacionais, que consigamos, ainda em tempo, ter clareza de que nós vivenciamos em nosso dia a dia, apenas um mero desdobramento da expoliação sofrida no passado enquanto nação. Expoliação essa que serve hoje para que sociedades ricas possam usufruir através do "estado de bem estar social".
Galeano acredita na construção da Grande Pátria e na verdadeira libertação da América Latina.
As veias abertas da América Latina é um livro pra ser lido e pensado por todos os povos latino-americanos.
domingo, 1 de julho de 2012
Dissecando as veias com Galeano, no Café Jaqueira
Postado por
Café com leitura
No sábado 30 de junho, o CCL se reuniu novamente para mais uma missão. Dessa vez quem
estava em pauta era o autor uruguaio Eduardo Galeano e o título escolhido foi “As veias abertas da América Latina”.
O local escolhido para discussão foi o Café Jaqueira que recebeu Ana Carla, Glenda Carla e Martha Perusi, para discussão do título. O encontro contou ainda com a participação de Albérico Figueiroa, Kleison Lima, Manuela Duque, Pérola França e Viviane Lima. A ocasião foi especial por contar com a oficialização dos novos membros efetivos do CCL. A partir do próximo encontro, Albérico Figueiroa e Pérola França se somarão às demais membros do grupo.
Em clima descontraído o livro foi analisado e o tema foi amplamente discutido por todos os presentes, que contextualizando com a realidade atual, puderam fazer analogias e reflexões acerca da situação atual de desenvolvimento do continente americano, fazendo uma avaliação dos motivos causais de tanta desigualdade entre o novo e o velho mundo, assim como o norte e o sul da América.
Na sequência, teremos as impressões sobre o livro.
Próximo encontro: 28/07/2012
Horário: 16 horas
Título: Era meu esse rosto de Márcia Tíburi
Assinar:
Postagens (Atom)



.jpg)

.jpg)









