segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Um café Para Francisco com O Amor do Pequeno Príncipe


O grupo Café Com Leitura reuniu-se no último sábado - dia 11/09 - na Dalena Tortas Finas que fica localizada no bairro dos Aflitos para dialogar sobre os livros indicados por Anna: Para Francisco, da publicitária Cristiana Guerra e O Amor do Pequeno Príncipe, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. Participaram desse encontro Anna, Manu Lins, Lila B., Bá e Glenda.
As obras relacionam-se por um nobre sentimento, o amor. Sendo assim, o amor enobrece os demais sentimentos e torna-nos seres melhores.
Em breve, o sentimento do grupo!

Próximo encontro:
Tema: Literatura
Livro: As Belas Imagens - Simone de Beauvoir
Indicado por: Lila B.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

CAFÉ NO PAÇO

GRUPO definiu diretrizes sobre o funcionamento do blog
No último sábado, dia 04.09, o Grupo Café com Leitura reuniu-se para definir algumas diretrizes referentes ao gerenciamento do blog. Foram discutidas e definidas regras de inclusão de novos membros como convidados e sobre a regularidade das postagens. Participaram Ana, Glenda, Leusa e Lila.

Além disso, ficou acordado sobre a contratação de uma design, já contactada por Lila, para a definição da identidade visual da página, que, com esse novo tratamento gráfico, será transformada em um site. A próxima reunião será no sábado, dia 11.09, às 16h, no café já conhecido de todas. 

Percorrer a estrada que se compartilha


“ A verdadeira moral zomba da moral.”
Blaise Pascal


Numa típica cidade americana, ocorre - sem explicação ou detalhes - uma catástrofe natural que parece ter assolado toda a humanidade. Com escassez de água, comida e outros recursos, os seres humanos são levados ao limite.
A Estrada narra o desastre geral e o drama pessoal causados pelo caos decorrente desta tragédia. Os poucos personagens são agentes e vítimas de uma mudança social que os leva – e a nós também – a questionar valores e crenças estabelecidos em tempos de ordem e que agora parece terem sido esvaziados de sentido.
A luta do pai para manter seu filho alimentado, aquecido e seguro mesmo diante de tanto horror e miséria, contrasta com a aparente apatia e covardia da mãe, que prefere se deixar morrer a se sujeitar ao que chama de subexistência ou de ficar à mercê da atrocidade cometida por alguns grupos.
Pode-se, a partir dessas diferentes posturas, refletir, de modo mais abrangente, acerca da moral. Poderíamos começar diferenciando a moral estabelecida da moral pessoal, sendo a primeira o conjunto de regras determinadas para a harmonia do grupo, enquanto a segunda pode ser entendida como a reflexão crítica e singular que o indivíduo faz da realidade a partir de sua experiência pessoal.
A ideia de seres humanos estocando e se alimentando de outros serem humanos é aterrorizante, porém se tornou um ato razoável (e talvez racional por visar a sobrevivência) para um determinado grupo. Contudo, esta escolha se mostrou questionável e condenável para tantos outros, que preferiram continuar acreditando e optando pela solidariedade e manutenção da civilidade conhecida até então.
Numa situação extrema, quem estaria certo?
A Estrada pode nos proporcionar tantas reflexões em tantas instâncias (social, psicológica, espiritual...) que foi inevitável ver cenas de pilhamento humano, desbarate da propriedade privada e etc e não correlacioná-las com as distorções geradas pelo capitalismo e outros sistemas em desequilíbrio.
Mas estas são questões mais pesadas e sérias e não pretendo abordá-las, por isso retomo a ideia da moral pessoal.

O garoto, nascido em meio à tragédia, tem seu caráter forjado através dos ensinamentos do pai de que o mundo é dividido entre homens bons e homens maus, e é estimulado a manter a "chama da bondade" acesa.
O ambiente de amor, cuidados e sacrifícios por parte desse pai, formam no pequeno sua própria moral, que não usa a miséria como desculpa para não nutrir pelo próximo sentimentos de compaixão e doação. Mesmo diante do "apagar da chama" de seu pai, rejeita a lógica do indiviadualismo e selvageria em nome da sobrevivência.
Em nossa reunião, discutimos se era possível que alguém que não conheceu a ordem pudesse expressar sentimentos puros e nobres como os que o garoto tinha... talvez esta seja uma reflexão, como citei, de instância espiritual.
Creio que cada um escolhe a estrada que quer seguir!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O que você faria?

Foto: Manuela Lins
Eu me perguntei diversas vezes durante o filme. "O que eu faria?" A dúvida de desistir ou não foi a que me deixou mais abalada. Consigo me colocar no lugar daquela mãe que escolhe não continuar tendo uma sub vida e diz que se dependesse dela levaria o filho também. Não, não sei se eu conseguiria desistir sem saber que não fiz o máximo. Eu acredito que iria sim até o extremo, como fez o pai.

Certo, não me mataria. Mas, e agora? O que faria? Criaria uma ilusão para meu filho, para que ele não percebesse (ou pelo menos amenizasse) o que havia sobrado do mundo? Ou seria dura e realista, como foi o pai do menino? Não sei. Lembro-me do filme "A vida é bela" onde também há uma criança vivendo em uma situação extrema, esta vive na ilusão. Não sei se teria força e imaginação o suficiente para entreter meu filho em meio a tanta fome e destruição.

Porém, para mim o mais importante de tudo isso é que o diretor conseguiu me deixar num beco sem saída! Não consegui julgar nenhum ato do pai, todos são compreensíveis, mesmo existindo outra possibilidade, fiquei de mão atadas, sem conseguir dizer o certo ou errado.

Depois de tudo, isso fica martelando em minha cabeça: há várias possibilidades. Sempre há, e várias podem dar certo.
Aprendi a ser mais compreensiva.

Viver ou Sobreviver?

Imagem: Divulgação
Em 'A estrada' somos inseridos em um mundo pós-apocalíptico, devastado, cheio de desgraça e vazio de humanidade. E nesse cenário cinza, frio e cruel passamos a acompanhar a jornada de um pai e o seu filho lutando pela sobrevivência, que não é apenas uma questão de encontrar comida e algo para se aquecer. Na viagem em direção ao sul, eles enfrentam os perigos de um tempo onde 'homens maus' são capazes de estocar seres humanos para comê-los mais tarde.

O filme retrata o que homens 'bons' são capazes de fazer quando estão no limite. No limite do sofrimento, do medo, da fome, da luta... E que mesmo em momentos extremos há a opção de deixar ou não o 'fogo' apagar.

É de se ficar pensando como reagiríamos em situações tão adversas como as encontradas no filme. Eu não sei. Não sei se conseguiria viver como selvagens, atirando antes e perguntando depois, fugindo, me escondendo... Mas e isso é vida? Não encontro sentido e acredito que faria parte dos que não se contentariam em 'apenas' sobreviver.

Contudo, não sei se meu pensamento seria diferente se eu tivesse um filho, talvez minha perspectiva mudasse e minha 'vida' voltasse a ter um sentido. De qualquer forma, ainda precisaria de muita fé para sobreviver em tempos sem esperança alguma.